São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta quarta-feira (14) as conclusões obtidas por uma delegação da instituição que avaliou as contas dos Emirados Árabes Unidos. No relatório, os técnicos dizem que a crise global deverá reduzir a demanda por petróleo e poderá dificultar a rolagem da dívida de empresas ligadas ao governo. De acordo com o levantamento do FMI, o PIB dos Emirados cresceu 4,9% em 2011 e deverá chegar aos 2,3% neste ano. O setor não-petrolífero cresceu aproximadamente 2,7% no ano passado, impulsionado pelo comércio, indústria e turismo.
Mesmo o bom desempenho da economia dos Emirados em 2011 não afasta as preocupações do FMI com as contas do país no decorrer deste ano. O Fundo prevê que o preço do petróleo, que garante importante fonte de receitas aos Emirados, deverá cair porque a crise econômica que atinge os países ricos provocará uma queda na demanda do produto.
"A atual incerteza econômica global e o ambiente financeiro colocam inúmeros riscos à frente. O fraco crescimento alcançado nas economias avançadas poderá liderar um acentuado declínio nos preços se os riscos geopolíticos regionais se reduzirem. Além disso, uma renovada preocupação das condições financeiras globais poderia dificultar a rolagem de alguns débitos externos das empresas ligadas ao governo e afetar a liquidez do sistema bancário [nos Emirados]", alerta o relatório divulgado pelo FMI.
O FMI afirma que as empresas ligadas ao governo ainda dependem de financiamento externo. O governo, diz o levantamento, já organizou a conta de algumas dessas empresas, mas muitas outras ainda estão no meio de um processo de reestruturação. O FMI acredita que a saúde financeira destas empresas é uma ameaça para as contas dos Emirados porque dependem de financiamento externo.
Por outro lado, o FMI reconheceu que as autoridades locais estão comprometidas em promover uma consolidação fiscal gradual nas contas e reduzir o gasto público, que foi elevado para ajudar os Emirados à enfrentar a crise de 2008. "O ritmo planejado gradual de aperto fiscal vai fortalecer as finanças públicas sem comprometer a recuperação econômica", afirma o documento. Os técnicos da delegação também reconhecem que o sistema bancário está capitalizado e há liquidez no mercado, mas temem que muitos empréstimos dos bancos sejam destinados às empresas do governo em má situação financeira.

