São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial divulgaram nesta quarta-feira (21) as conclusões a que chegaram seus técnicos após avaliar as contas do País entre os dias 6 e 21 de março. No documento divulgado pelo FMI, as instituições afirmam que o Brasil agiu corretamente no combate à crise financeira e avaliam que o sistema bancário é estável, com baixa exposição aos riscos e capaz de suportar choques econômicos. Alertaram, no entanto, que os juros elevados prejudicam a concessão de crédito.
A missão se encontrou com autoridades brasileiras, entre elas o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e foi liderada por Dimitris Demekas, do FMI, e por Augusto de la Torre, do Banco Mundial. Este estudo é parte do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP, na sigla em inglês), que monitora a economia de países emergentes.
De acordo com a missão que visitou o país, a infraestrutura e a grande regulação do setor financeiro são importantes para manter a estabilidade financeira. No entanto, o setor de seguros tem uma exigência maior de solvência e a repercussão de seus resultados é maior. Por isso, recomenda o estudo, a supervisão de corretores e empresas deve ser mais eficiente.
Ainda segundo as duas instituições, a independência operacional da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) deve ser maior. O FMI e o Banco Mundial observaram que há "restrições orçamentárias e de recursos humanos" e aconselha fortalecer as agências reguladoras.
Os técnicos concluem que a atuação das autoridades brasileiras no combate à crise econômica foi "rápida, flexível e de sucesso", embora tenham reconhecido que "algumas reformas" poderiam ajudar o país a se prevenir de futuros choques econômicos.
“As autoridades devem ser parabenizadas por seu importante papel na manutenção da estabilidade financeira. Além disso, a rigorosa regulamentação do setor bancário e a grande consolidação da sua supervisão ajudam a restabelecer a confiança do mercado”, afirmaram as instituições.
Os técnicos observam que o país pode avançar na concessão de crédito de longo prazo para o setor privado, porém afirma que o desenvolvimento do mercado de capitais é impedido pelas altas taxas de juros praticadas no País. Eles acreditam que a queda na taxa de juros e o estímulo a empréstimos de longo prazo podem fazer com que o País tire mais proveito do aumento da demanda.

