FMI revisa para baixo previsão de expansão global

Em meio a riscos, o crescimento mundial vem enfraquecendo, diz a conselheira econômica e diretora do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional, Gita Gopinath.

Da Redação
anba@anba.com.br

São Paulo – Embora o crescimento da economia mundial em 2018 tenha permanecido próximo do máximo atingido no pós-crise, a expansão global está enfraquecendo, segundo a conselheira econômica e diretora do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath (foto). E isso a um ritmo um pouco mais rápido do que o previsto, apontou a economista em texto divulgado pelo FMI.

Nesta segunda-feira (21), o Fundo, que se reúne no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, divulgou suas previsões revistas do World Economic Outlook (WEO). O FMI projeta, agora, um crescimento global de 3,5% em 2019, número 0,2% menor do que a projeção. Já para 2020, o Fundo espera crescimento mundial de 3,6%, com revisão de 0,1 ponto percentual abaixo do que foi estimado em outubro de 2018. “As revisões em baixa são modestas, mas acreditamos que os riscos de uma correção negativa mais acentuada estão aumentando. Durante a maior parte de 2018, os mercados financeiros das economias avançadas pareciam ter conseguido se dissociar das tensões comerciais, mas as interligações entre ambos se tornaram mais intensas recentemente, com o aperto das condições financeiras e o aumento dos riscos para o crescimento mundial”, pontuou Gopinath em texto publicado pelo FMI.

Segundo a diretora, foram revisadas ligeiramente para baixo as previsões para as economias desenvolvidas, principalmente por causa da baixa nas previsões para a Zona do Euro. Dentro desta área, as revisões mais relevantes são para Alemanha, onde as dificuldades da produção no setor automotivo e a demanda externa mais fraca pesarão sobre o crescimento em 2019, e à Itália, onde os riscos soberanos e financeiros devem frear o crescimento.

Entre as maiores preocupações do FMI, estão as perspectivas de uma escalada das tensões comerciais e deterioração das condições financeiras. “O aumento das incertezas no comércio internacional elevará a pressão sobre o investimento, abalando as cadeias produtivas mundiais”, afirmou Gita Gopinath.

A economista abordou questões como a desaceleração do crescimento da China, que poderá ser mais intensa do que a esperada, sobretudo se as tensões comerciais persistirem, o que poderia desencadear vendas abruptas nos mercados financeiros e de commodities, como ocorreu em 2015/16. Já na Europa, existem as questões em torno do Brexit. E nos Estados Unidos, a paralisação prolongada do governo federal representa um risco de baixa. A expansão continua no país, mas a previsão é de desaceleração com a retirada do estímulo fiscal.

Gopinath acredita que é preciso que as autoridades reajam agora para reverter o clima de desaceleração. “A principal prioridade de política econômica é a ação rápida e colaborativa dos países para resolver suas desavenças comerciais e pôr um fim às incertezas de políticas, em vez de erguer mais barreiras prejudiciais e desestabilizar uma economia mundial já em desaceleração”, declarou ela.

América Latina e Brasil

Entre as economias latino-americanas, apenas o Brasil apresentou revisão para cima do FMI, de 1,3% em 2018 para 2,5% em 2019. Segundo o Fundo, o país deve continuar em recuperação gradual da recessão de 2015/16.

No geral da América Latina, o FMI espera que o crescimento se recupere nos próximos dois anos, de 1,1% em 2018 para 2,0% em 2019. Já para 2020, o Fundo espera que o número chega a 2,5%. Ambas as previsões, no entanto, foram reduzidas em 0,2 ponto em relação às projeções de outubro de 2018.

Oriente Médio e Arábia Saudita

O FMI informou que espera que o crescimento na região do Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão permaneça moderado em 2,4% em 2019. Já em 2020, a expectativa é que o índice se recupere chegando a 3%. Entre as questões de destaque na região está o crescimento fraco da produção de petróleo. Por outro lado, espera-se recuperação nas atividades não petrolíferas na Arábia Saudita.

Reprodução/FMI

Publicações relacionadas