Kuwait é país moderno e globalizado no Golfo

Nação mistura cultura árabe e tradições islâmicas com tendências internacionais. Consumo, cafeterias e arranha-céus fazem parte do cotidiano na Cidade do Kuwait.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

Cidade do Kuwait – Deserto e mar. Dias quentes, noites frias, vento, tempestades de areia e até garoa. Tempo sempre muito seco, umidade baixa. Todas essas variações climáticas aconteceram em menos de uma semana de estadia na Cidade do Kuwait, capital do Kuwait, em meados de fevereiro de 2018.

O país do noroeste do Golfo Árabe foi fundado há apenas 57 anos e faz fronteira com a Arábia Saudita ao sul, com o Iraque ao norte, e encontra o mar à leste. Rico em petróleo, com uma das maiores rendas per capita do mundo, tem hoje cerca de quatro milhões de habitantes, sendo um milhão de kuwaitianos e três milhões de estrangeiros, entre paquistaneses, indianos, filipinos, bengaleses e até nepaleses que vêm ao país em busca de trabalho e de uma vida melhor. Eles atuam no setor de serviços, principalmente em táxis, restaurantes, cafeterias e hotéis, e são a base da pirâmide do trabalho. Já os kuwaitianos trabalham para o governo, bancos, empresas de petróleo, entre outros setores com maior qualificação profissional.

O kuwaitiano é um povo hospitaleiro e recebe muito bem os estrangeiros que vêm a trabalho ou turismo. Oferecem comidinhas, chá, café árabe ou kuwaitiano – parece mais um chá turvo, com sabor de cardamomo entre outras especiarias, o grão do café não é completamente torrado – e doces, muitos doces.

Dos países do Golfo Árabe, o Kuwait é dos mais abertos e ocidentalizados, e isso se traduz tanto em costumes quanto em uma cultura de consumo do que é ocidental. As mulheres não são obrigadas a usar o véu, e geralmente estão muito bem maquiadas e vestidas de forma conservadora, mas contemporânea ao mesmo tempo, com roupas de grandes marcas internacionais. E tanto no centro como pela orla da Cidade do Kuwait é possível ver a influência da cultura norte-americana na região, com franquias de restaurantes e lanchonetes como Applebee’s, Starbucks, Chili’s, McDonald’s e Five Guys.

O centro da jovem cidade parece um canteiro de obras, com um arranha-céu querendo superar o outro em altura, ostentação e grandiosidade. A metrópole, assim como o país, vem se reerguendo há mais de duas décadas, após a guerra com o Iraque. A Data Nacional do Kuwait, que este ano foi comemorada em 25 e 26 de fevereiro, celebra tanto a fundação do país, há 57 anos, quanto sua libertação do Iraque, há 27 anos.

Na viagem para a cobertura da Conferência Internacional para a Reconstrução do Iraque, a reportagem da ANBA pôde conhecer um pouco da cultura, costumes e pontos turísticos da Cidade do Kuwait.

(continua após a galeria)

Torres do Kuwait iluminadas com as cores da bandeira nacional Modernidade e tradição no novo Centro Cultural Jaber Al-Ahmad Centro Cultural Jaber Al-Ahmad Por dentro de um dos prédios do Centro Cultural Dança das águas no Centro Cultural Souk Al-Mubarakiya Loja de doces no souk Souvenirs e presentes com a bandeira do Kuwait Incensos estão presentes em todo lugar Refeição árabe em restaurante no souk Museu de Arte Moderna do Kuwait Obra do artista iraquiano Maher Al-Taee Biblioteca Nacional Arranha-céus em construção no centro da Cidade do Kuwait
<
>
Modernidade e tradição no novo Centro Cultural Jaber Al-Ahmad

O Souk Al-Mubarakiya é o mercadão da Cidade do Kuwait. Lá é possível encontrar roupas típicas, como a abaya (lembra um vestido longo e largo feminino, como uma capa que se coloca por cima das roupas) e o dish dash (veste masculina longa), e também lenços, tapetes, perfumes, souvenires, doces, chás e chocolates são expostos em pequenas lojas e barraquinhas pelo mercado.

Os incensos são intensamente perfumados e fazem parte da cultura kuwaitiana, presentes por toda a cidade. Têm aroma inconfundível e inebriante, em sua maioria com base de sândalo. No Souk, são vendidos em barracas; nos hotéis e outros locais públicos, são queimados aos montes para purificar o ar e diminuir os cheiros de comidas e cigarros. Os homens e mulheres kuwaitianos também usam como perfume.

Na parte de fora do Souk, ficam os cafés e restaurantes, com grande variedade de comidas, com influências da cozinha árabe mediterrânea e da cozinha indiana e asiática. Se come muito bem no país do Golfo. Quem gosta de comida árabe irá se deliciar com uma fartura de hommus, babaganoush, coalhada, pães árabes, carnes de cordeiro, frango (brasileiro) e bovina, saladas, arrozes e doces, tudo muito fresco e saboroso. A qualidade da comida kuwaitiana é excelente em praticamente qualquer lugar, pois a vigilância sanitária local é bastante rígida.

O álcool é proibido no país, que oferece como opções sucos de frutas, leite de camela, iogurtes e drinks sem álcool. Chá preto e café árabe (aquele com cardamomo) são encontrados em praticamente todo lugar.

O ponto de encontro mais popular entre os kuwaitianos no momento são as cafeterias, grande sucesso entre o público jovem na Cidade. Nelas, se encontra os tipos de café que nosso paladar reconhece com mais facilidade, como o espresso, o coado e a prensa francesa. A origem dos grãos? Brasil, Etiópia, Honduras e Panamá estão entre os exportadores. Em algumas cafeterias (como a da foto na galeria) era possível ver as sacas de café brasileiro em exposição, decorando o ambiente.

O Centro Cultural Jaber Al-Ahmad é um passeio para toda a família, com salas de concertos e óperas, restaurantes e outros atrativos. Os prédios ultramodernos, com muito vidro e aço, têm inspiração na arquitetura islâmica, com arabescos, e parecem se encaixar na paisagem próxima à praia. O local foi projetado pelo arquiteto inglês Ray Phillips e inaugurado há um ano e meio. Por lá já passaram orquestras, óperas e artistas de diversas partes do mundo. De meia em meia hora, há um show de águas, com uma fonte que parece dançar ao ritmo de músicas árabes.

O Museu de Arte Moderna no Kuwait fica em uma casa antiga, de arquitetura tradicional árabe, com um pátio grande no meio. O local abrigou uma das mais antigas e prestigiadas escolas para meninos desde 1938 – o emir Sabah Al Ahmad estudou lá – até ser convertida em museu, em 2003. Durante a visita, haviam três exposições em cartaz. Uma mostrando fotos “antes e depois” dos bombardeios no Iraque, e as outras, de pinturas do artista iraquiano Maher Al-Taee e da artista armênia Jackie Kazarian.

As Torres do Kuwait são um bonito cartão postal da cidade, inauguradas em 1979 como um marco e um símbolo de modernidade do país. De dia as três torres (tem uma pequena que só se vê de dia) têm tom azulado, e à noite se iluminam com as cores da bandeira do país. A torre mais alta tem 187 metros de altura, e a esfera maior abriga um tanque de água de 4.500 metros cúbicos na parte inferior, e um restaurante com capacidade para 90 pessoas na parte superior. A segunda torre tem 147 metros e serve para abastecimento de água, e no total as duas torres reservam 9 mil metros cúbicos de água. A terceira torre não tem reservatórios.

A Biblioteca Nacional do Kuwait foi fundada em 1923 e abriga livros, periódicos e publicações diversas em árabe, francês e inglês. O embaixador do Brasil no Kuwait, Norton Rapesta, contou que fará uma doação de 300 livros brasileiros para a biblioteca, todos em português.

Chegando lá

A viagem de São Paulo à Cidade do Kuwait leva quase um dia inteiro. No caso da reportagem, foram 15 horas até Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com três horas de espera para a conexão, mais 1h45 de voo até a Cidade do Kuwait, pela companhia aérea Emirates. O fuso horário é de 6 horas a mais que o horário de Brasília. É possível fazer a viagem por diversas companhias, com escala em cidades da Europa, África e Oriente Médio. As empresas parceiras da Câmara de Comércio Árabe Brasileira que voam de São Paulo à Cidade do Kuwait são a Emirates (por Dubai) e a Qatar Airways (por Doha). Não há voos diretos.

Yasser Al-Zayyat/AFP
Bruna Garcia/ANBA
Bruna Garcia/ANBA

Publicações relacionadas