Negócios do Brasil com países árabes podem subir de patamar

Avaliação é do secretário-geral da União das Câmaras Árabes, Khaled Hanafy, que esta semana participou de fórum econômico em São Paulo.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – Após o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado na última segunda-feira (02), em São Paulo, o secretário-geral da União das Câmaras Árabes, Khaled Hanafy (ao centro na foto acima), espera que os negócios entre brasileiros e árabes aumentem de patamar. “O fórum sugeriu a mudança de um comércio simples para uma aliança estratégica”, disse ele à ANBA nesta quinta-feira (05), durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na capital paulista.

Hanafy veio ao Brasil para participar do fórum e de outras atividades organizadas pela Câmara Árabe. Ex-ministro do Abastecimento e Comércio Doméstico do Egito, Hanafy assumiu recentemente o cargo de secretário-geral da União, que é a principal entidade empresarial pan-árabe. Ela reúne as câmaras de comércio das nações árabes e as chamadas câmaras conjuntas, como a Câmara Árabe Brasileira.

Hanafy (esq.) cumprimenta o diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, no fórum

“Parceria estratégica é o novo nome do jogo, para aumentar uma relação comercial de US$ 20 bilhões, em nível simples, para chegar um patamar representativo dos US$ 5 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB) dos dois lados”, destacou o executivo. Os US$ 20 bilhões representam a corrente comercial do Brasil com os árabes em 2017, e os US$ 5 trilhões são os PIBs somados do País com as nações da região.

Ele ressaltou que a presença maciça de autoridades e empresários árabes e brasileiros no fórum foi uma demonstração de que há interesse em ampliar as relações. O evento contou com mais de 700 participantes, sendo pelos menos 100 de países árabes, além das presenças do presidente Michel Temer, do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e outros funcionários do primeiro escalão do governo brasileiro.

“O Brasil é um mercado relativamente fechado em comparação com o tamanho de sua economia, pois o comércio internacional representa apenas 17%, então há espaço para melhorar. Já no mundo árabe há uma grande abertura, de 70%, e parte desta abertura pode ser direcionada ao Brasil numa aliança estratégica”, afirmou.

Segundo Hanafy, empresas brasileiras podem estabelecer filiais em países árabes “não apenas para ter acesso aos 400 milhões de habitantes da região, mas a um mercado de 2 bilhões de pessoas por meio de acordos comerciais”. Nações do Oriente Médio e Norte da África têm acordos de livre-comércio ou de associação com a União Europeia, blocos africanos e entre si.

“O fórum abriu as portas para o futuro, mas precisamos caminhar para implementar as grandes ideias surgidas [durante o evento]”, declarou.

Prioridade

Sobre suas prioridades na União das Câmaras, Hanafy afirmou que a estratégia é “atingir o velho sonho do mercado comum, mas usando tecnologia moderna”. Ele explicou que está em andamento um “megaprojeto de digitalização” na área econômica e comercial para colocar em contato fornecedores e compradores, não só por meio das câmaras de países árabes, mas também com as câmaras conjuntas, como a brasileira.

Esta semana mesmo, em reunião de secretários-gerais de câmaras conjuntas, em São Paulo, ficou acertada a criação de um aplicativo para interligar estas entidades e seus membros, e posteriormente às instituições dos próprios países árabes, criando uma grande rede eletrônica de contatos de negócios.

Rodrigo Rodrigues/Câmara Árabe
Sérgio Tomisaki/ANBA

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