Painel discute como dobrar o tamanho do agronegócio no País

Debate realizado na abertura da feira Campo Grande Expo, nesta terça-feira, em Mato Grosso do Sul, contou com a participação do presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, participou no final da tarde desta terça-feira (28) de um painel sobre o desafio de dobrar o tamanho do agronegócio brasileiro em cinco anos, na abertura da feira agropecuária Campo Grande Expo, que segue até sábado (01/06) na capital de Mato Grosso do Sul.

“A discussão girou em torno de como fazer para o agronegócio dobrar de tamanho em cinco anos”, disse Hannun por telefone à ANBA. Segundo ele, os participantes concluíram que o comércio exterior é o principal canal para se atingir este objetivo, e no debate estavam representados dois dos mercados de maior potencial para o agronegócio brasileiro, o árabe e o chinês. O painel contou com participação do presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang.

Hannun: mercado halal é destaque

“Chamaram muito a atenção o mercado árabe e os dados do mercado halal”, contou Hannun. São considerados “halal” os produtos e serviços que respeitam as tradições islâmicas e, portanto, estão aptos para o consumo de muçulmanos.

Material distribuído pela Câmara Árabe no evento informa que a movimentação global do mercado halal pode chegar a US$ 2 trilhões em 2022. Isso inclui não só os países árabes, mas outras nações islâmicas e comunidades muçulmanas espalhadas pelo mundo.

Mais do que o respeito a preceitos religiosos, o presidente da Câmara Árabe destacou que o conceito de halal representa um estilo de vida, e que este selo indica que a mercadoria foi produzida com cuidados sanitários e preocupação com a qualidade.

Ele ressaltou, no entanto, que o Brasil precisa se esforçar para ampliar sua participação nestes mercados. “Não basta apenas vender, temos que fazer parcerias. O Brasil pode comprar mais também”, observou. Hannun defendeu a busca por acordos comerciais e sanitários, e a realização de missões empresariais ao mundo árabe como ferramentas para aumentar os negócios.

A importância do fortalecimento da “Marca Brasil” no exterior foi também tema da discussão, como forma de agregar mais valor aos produtos agropecuários exportados pelo País.

Só agro pode crescer tanto

Da esq. p/ dir., Tejon, Hannun, Saito, Rodrigues, Fernandes e Tang

“É evidente que o Brasil tem chances de aumentar consideravelmente o comércio com os países árabes, assim, da mesma forma, também com a China”, afirmou o mediador do debate, José Luiz Tejon, por telefone à ANBA. “Mas para isso, o Brasil tem que fazer um plano de negócios para todos os mercados e para as diferentes cadeias produtivas, e também para o mercado interno”, declarou. “Caso contrário, não há como dobrar o tamanho do agronegócio”, acrescentou.

Na avaliação de Tejon, o agronegócio é único setor da economia brasileira com condições de crescer de maneira tão significativa em cinco anos. “E se [o agronegócio] não crescer, o PIB (Produto Interno Bruto) não cresce o suficiente”, concluiu.

Participaram do painel ainda o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Maurício Saito, o CEO do banco de origem chinesa Haitong Brasil, Alan Fernandes, e o presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues.

João Carlos Castro/Famasul
Divulgação
João Carlos Castro/Famasul

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