São Paulo – O preço do barril de petróleo caiu aos menores níveis em mais de um mês nesta sexta-feira (17) em razão do anúncio, pelo Irã, de que o Estreito de Ormuz será reaberto por causa do cessar-fogo entre Israel e Líbano. Desde 28 de fevereiro, Israel e Estados Unidos passaram a atacar o país persa, mas o Líbano também se tornou alvo de ataques. Em retaliação, os iranianos atacaram nações árabes do Golfo, como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Arábia Saudita, e fecharam a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e de gás natural liquefeito.
Na manhã desta sexta-feira, o preço do barril do tipo Brent, referência global para as cotações da commodity, registrava queda de 8,3% e era negociado a US$ 91. O barril WTI, referência nos Estados Unidos, registrava queda de 9,1% e era cotado a US$ 86,02. O mercado se mostrou otimista com os anúncios e também com declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra no Irã pode terminar em breve e de que novas rodadas de negociações poderão ocorrer no final de semana. A princípio, o cessar-fogo tem prazo de dez dias.
Os principais armadores globais, que são as empresas donas de navios, demonstraram otimismo e cautela. De acordo com a agência AFP, a preocupação do setor está na manutenção do cessar-fogo e nas rotas que poderão ser seguidas pelas embarcações, pois o Estreito de Ormuz está repleto de minas marítimas. “Mil navios não podem simplesmente entrar pelo estreito. Seria um caos. Eles [os iranianos] precisam nos dar ordens claras”, afirmou o porta-voz da armadora alemã Hapag-Lloyd, Niels Haupt. “Ficaríamos prontos muito rapidamente se algumas dessas questões em aberto puderem ser solucionadas no final de semana”, disse.
Segundo informações da Bloomberg divulgadas pela AFP, havia 770 embarcações com commodities dentro do Mar do Golfo na quinta-feira, das quais 360 de transporte de petróleo e gás. Também à AFP, o secretário-geral da Câmara Internacional de Navegação, Thomas Kazakos, disse que o anúncio é uma passo positivo, porém ainda cercado de incertezas.
Leia mais:
Em meio ao conflito, Golfo reduz compras do Brasil


