São Paulo – O Bahrein sofreu, em 2011, com instabilidades políticas e manifestações que afugentaram os investidores e o fizeram perder reservas internacionais. Mesmo neste contexto, o Bahrein deverá registrar aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, graças às receitas obtidas com a exportação de petróleo. É o que conclui um relatório sobre as contas do país divulgado nesta terça-feira (24) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo o levantamento, os problemas econômicos provocados pelas manifestações foram maiores no primeiro semestre. Ainda assim, as empresas com ações listadas na bolsa de valores conseguiram lucrar e a concessão de crédito voltou a crescer, porém lentamente. "O impacto macroeconômico provocado pelas agitações [políticas] foi amortecido pelo setor de petróleo e alumínio, que não foi afetado, sendo que o setor petrolífero contribuiu com 85% das receitas externas", afirma o relatório do FMI.
Os diretores do FMI também observam que houve aumento da inadimplência das pequenas empresas. Segundo a instituição, o Banco Central do Bahrein precisa continuar a monitorar cuidadosamente os riscos que se apresentam ao sistema bancário e "garantir a eficácia do sistema regulatório principalmente com relação aos desafios externos".
De acordo com as previsões do FMI, o PIB do Bahrein registrará crescimento de 1,8% em 2011, contra um aumento de 4,1% no ano anterior e 3,1% em 2009. Já o setor petrolífero deverá registrar em 2011 um crescimento de 4,1%, contra alta de 0,1% em 2010. No caso do PIB do setor não petrolífero a realidade é inversa: crescimento de 4,6% em 2010 e de 1,5% em 2011. Dos US$ 27,7 bilhões de receitas obtidas pelo país em 2011, US$ 24,3 bilhões deverão ser provenientes do petróleo.
Esses ganhos com petróleo, que alcançou cotações de US$ 114 em 2011 (em 2008, o barril estava cotado a US$ 80), ajudou o Bahrein a suportar a política expansionista realizada no ano passado. Em agosto, os funcionários do setor público, por exemplo, receberam 15% de aumento salarial.
As autoridades acreditam que o principal desafio do Bahrein neste ano será fortalecer o sistema fiscal para ajudar no controle dos gastos e para estabilizar a proporção dívida-PIB, ou seja, impedir que os débitos cresçam. "Eles [os diretores do Fundo] concordam que o orçamento do período 2013-2014 oferece a oportunidade de lançar as bases para um ajuste fiscal em médio-prazo", afirma o estudo.

