São Paulo – O físico nuclear José Goldenberg afirmou nesta sexta-feira (30) durante o debate Pré-sal e Desenvolvimento Sustentável: Riscos e Oportunidades para os Brasileiros, que o pré-sal oferece ao Brasil a oportunidade de ser um exportador de petróleo, já que não precisa dele para o consumo interno por produzir o necessário e o suficiente para isso.
Goldenberg, que foi ministro da Educação e secretário do Meio Ambiente no governo Collor, enfatizou, entretanto, que os resultados da exploração do pré-sal devem demorar até 10 anos. Além disso, trata-se de um empreendimento muito caro, disse ele.
"O risco de sucesso quando se abre um poço no pré-sal é maior do que quando se abre um poço em terra firme ou em baixas profundidades, mas, além de a exploração ser cara, entra-se no terreno do desconhecido", afirmou Goldenberg.
Goldenberg destacou que o petróleo do pré-sal é diferente do petróleo da Bacia de Campos, porque tem mais carbono e metano misturados e que, no momento em que se retira o material para a superfície, há aumento de carbono. "O carbono vai acabar sendo taxado e, por isso, o petróleo do pré-sal é diferente, vai ser mais caro".
Goldenberg, que também foi secretário do Meio Ambiente em São Paulo, reafirmou que a atividade em torno do pré-sal será muito intensa porque, no caso de São Paulo, por exemplo, será necessário ampliar o porto de São Sebastião, no litoral norte do estado, e as estradas que dão acesso à cidade. "É claro que o entusiamo por ter mais empregos e mais atividade econômica é muito grande, mas tem que ser moderado e com respeito à atividade ambiental".
Além do cuidado com os impactos no meio ambiente, Goldenberg afirmou que é necessário não desviar a atenção das energias renováveis, que são para sempre. "O petróleo será exaurido e todo o mal que ele fez acaba ficando lá. Com as energias renováveis, essas coisas não acontecem. Há uma euforia exagerada com o pré-sal. Não se pode voltar as costas para o pré-sal, mas temos que ir com prudência nessa exploração", alertou.
O deputado Antonio Palocci (PT-SP), relator do Fundo Soberano Social que será criado com os recursos obtidos com o petróleo do pré-sal, disse que qualquer governo que entre procurará dar o melhor uso possível a um fundo como esse. "Nossa preocupação é fazê-lo crescer o máximo possível, no mais longo prazo, para evitar os efeitos negativos que pode ter um recurso de curto prazo, que são os efeitos ambientais, fiscais e cambiais", afirmou.

