Sharjah na bienal: livros acabam com distância entre povos

Declaração foi feita pelo chefe da delegação do emirado, Fahim Al Qasimi, na cerimônia de abertura da feira do livro de São Paulo. Cidade árabe é convidada de honra do evento.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – O emirado de Sharjah foi homenageado na noite desta quinta-feira (02), na cerimônia de abertura da 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Sharjah é o convidado de honra desta edição da feira do livro paulistana. “O intercâmbio cultural é a entrada principal para o fortalecimento das relações [entre países]. São relações que superam as distâncias e são duradouras porque mostram o que há de melhor em cada país”, disse o presidente-executivo do Departamento de Relações Governamentais de Sharjah, Fahim Al Qasimi, em discurso no Parque de Exposições do Anhembi.

Fahim Al Qasimi: intercâmbio cultural é porta de entrada para relações duradouras

Qasimi lidera uma delegação de peso que veio do emirado para participar da bienal. Durante a feira – que abriu suas portas ao público nesta sexta-feira (03) e vai até dia 12 – o emirado irá apresentar mais de 40 livros traduzidos do árabe para o português e promoverá uma série de atividades culturais, como sessões de leitura com autores, shows de música tradicional e oficinas de artesanato.

“A literatura é o resultado de nossas experiências transformadas em livro”, declarou Qasimi. Para ele, os livros fazem desaparecer a distância entre os povos. Sharjah é considerada a capital cultural dos Emirados Árabes Unidos e, segundo Qasimi, o país preza suas relações culturais com o Brasil e com outras nações, e pretende fortalecê-las. “Queremos relações fortes, verdadeiras”, declarou.

O chefe da delegação árabe fez ainda elogios à literatura brasileira que, de acordo com ele, “deixa sua marca na literatura mundial”. “A literatura brasileira tem uma identidade especial que é reconhecida no mundo todo”, afirmou.

Primeira vez

Músico de Sharjah

Apresentação de música árabe já nesta sexta-feira

O presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), promotora do evento, Luís Antonio Torelli (à esq. de Qasimi na foto superior), disse que o setor editorial brasileiro vem realizando ações de promoção internacional em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). “Esta edição da bienal é a primeira a trazer uma cidade do Oriente Médio como convidada de honra”, destacou.

Ele acrescentou que, ao longo da feira, Sharjah mostrará suas tradições e “toda a sua riqueza cultural”. Torelli ressaltou que o emirado foi escolhido como Capital Mundial do Livro de 2019 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e criou a primeira zona franca do mundo dedicada ao setor.

Para o executivo, a presença de Sharjah na bienal “aproxima nossos leitores e fortalece a relação entre nossos editores”.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, também participou da cerimônia. Ele disse que espera que a presença de Sharjah no evento não sirva apenas para aprofundar o intercâmbio entre o Brasil e os Emirados, mas também entre a capital paulista e a cidade árabe, pois são dois territórios que prezam e reúnem uma infinidade de equipamentos e eventos culturais, como museus, teatros, exposições, salas de cinema, e bienais do livro.

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, encerrou a cerimônia. “Eu saúdo a presença de toda a delegação de Sharjah, que se caracteriza justamente pelo apoio ativo à cultura e à economia criativa, sobretudo no campo do livro”, destacou.

Estande de Sharjah

Integrantes da delegação de Sharjah

Participaram da abertura ainda o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Sílvio de Sousa Pinheiro, a presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, Lúcia França, mulher do governador Márcio França, o diretor do Departamento Regional do Serviço Social do Comércio em São Paulo (Sesc-SP), Danilo Santos de Miranda, o diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, a presidente da Microsoft no Brasil, Paula Bellizia, e o presidente da Reed Exhibitions Alcântara Machado, Fernando Fischer. O cônsul-geral dos Emirados em São Paulo, Ibrahim Salem Alalawi, também estava presente.

No início da cerimônia, a cantora e compositora Adriana Calcanhotto fez um “pocket show”.

Nesta edição, a bienal completa 50 anos e conta com 75 mil metros quadrados de área de exposição, 1,5 mil horas de programação cultural, as presenças de mais de 300 autores e 14 espaços ou “cenários temáticos”.

Serviço

Sharjah na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Data: 3 a 12 de agosto de 2018
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi, estande G030 – Av. Olavo Fontoura, 1.209 – Santana – São Paulo/SP
Informações: www.bienaldolivrosp.com.br

Programação no estande de Sharjah:
(eventos com participação de especialistas, autores e artistas árabes)

Sábado, 04 de agosto
10h às 11h – Leitura de Poesia
11h00 às 12h00 – O sucesso do mercado editorial dos Emirados ao redor do mundo – painel sobre a possibilidade de desenvolver uma ética comum no mercado editorial em diversos países
12h30 às 13h, das 14h20 às 14h50 e das 16h15 às 16h45 – Música da Alma – show de música árabe com tocador de alaúde
13h15 às 14h15 – Seminário Prosa Atual – Discussão sobre o sucesso do gênero romance
15h às 16h – Contos folclóricos – Painel de discussão com jornada de contos, com foco em seu papel e impacto na sociedade dos Emirados

Domingo, 05 de agosto
11h às 12h – Mesa-redonda sobre tradução e e-books
12h15 às 12h45 – Música da Alma – Show de música árabe com tocador de alaúde
13h às 14h – Sessão literária – debate sobre os benefícios de escrever
14h às 15h – “1001 Títulos” – Apresentação de projeto para incentivar a produção de conteúdo original por editoras baseadas nos Emirados Árabes e uma comparação dos mercados de ficção no Brasil e nos Emirados Árabes
16h às 18h – Workshop de máscaras – Workshop infantil de duas horas, onde jovens terão a oportunidade de aprender a tradição dos Emirados em tecelagens com artesãos locais
18h15 às 19h15 – “Imagine Livros” – discussão sobre ilustrações que transcendem a barreira da linguagem e sobre o papel dos livros ilustrados, especialmente nas vidas de crianças refugiadas

Segunda, 06 de agosto
10h às 11h – Espelhos do Tempo – sessão sobre a relação entre literatura e herança cultural e histórica das civilizações
11h15 às 11h45 / 13h30 às 14h / 16h30 às 17h – Música da Alma – show de música árabe com tocador de alaúde
12h às 13h – Publicação Conjunta – discussão sobre a relação entre os mercados editoriais do Brasil e dos Emirados
15h às 16h – Conhecimento sem Fronteiras – apresentação do projeto governamental que resultou na distribuição de livros para mais de 42 mil famílias em Sharjah

Divulgação
Divulgação
Rovena Rosa/Agência Brasil
Rovena Rosa/Agência Brasil

Publicações relacionadas