Sírio constrói carreira artística no Brasil

Ayman Esmandar foi professor de História da Arte e História Antiga na Universidade de Damasco e se mudou para o Brasil em 2013. Ele é artista plástico e suas obras se debruçam sobre temas da mitologia. Mostra pode ser vista em Curitiba até 7 de setembro.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – O sírio Ayman Esmandar tem suas pinturas em exposição no Espaço de Arte Francis Bacon, em Curitiba, no Paraná, onde ficarão até o dia 07 de setembro. Essa é uma das várias mostras que o artista realizou depois que desembarcou no Brasil, há cerca de cinco anos, buscando um lugar para viver longe da guerra que assolava e ainda assola seu país de origem.

Ninfas são temas de pinturas de Esmandar

Esmandar trouxe na bagagem formação e carreira sólidas e a vontade de continuar sua trajetória artística e acadêmica em terras brasileiras. O sírio é doutor em História da Arte e dava aulas em História da Arte e História Antiga na Universidade de Damasco. Especialista em fenícios, gregos, egípcios antigos e romanos, ele pinta principalmente temas da mitologia grego-fenícia. A exposição em Curitiba é sobre ninfas.

Apesar de já ter viajado em diversas oportunidades para a Europa, Esmandar se sentiu atraído pelo Brasil, e, diante da guerra desencadeada na Síria, resolveu se mudar para o Rio de Janeiro e não para outra parte do mundo. “O Brasil tem problemas políticos econômicos, mas o povo sempre sorri, gosta de alegria”, disse ele à ANBA.

Trabalhando em uma universidade pública e recebendo ameaças terroristas, Esmandar achou que a situação estava ficando perigosa e resolveu deixar o país. O Brasil, para ele, foi destino. Esmandar lembra da vasta comunidade árabe, formada principalmente por sírios e libaneses, que o País abriga, e das similaridades entre os seus povos.

O artista conseguiu revalidar seu diploma de doutorado no Brasil e atualmente dá palestras e aulas eventuais em sua área, além de realizar exposições artísticas. No dia 21 de agosto ele falará sobre os traços dionísicos na cultura atual e no dia 23 de agosto sobre a cidade histórica síria de Palmira, no Colégio Imaculada Conceição, na cidade mineira de Leopoldina. Uma das suas últimas mostras artísticas foi no Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro, em junho, também com o tema das ninfas.

Arte de sírio mostra história e cultura

Após chegar no Brasil, Esmandar estudou português na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) – atualmente é fluente no idioma – e fez um curso de guia de turismo cultural internacional. Durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016, dois eventos que ocorreram no Brasil, o sírio atuou como guia turístico. Agora, ele está se preparando para ingressar no pós-doutorado na UERJ.

O sírio desenha desde os quatro anos de idade e conta que na escola já era conhecido por seus trabalhos em arte. Ao chegar no tempo de ingressar na universidade, apesar de ter conseguido vaga em várias áreas, optou por Belas Artes. O trabalho final foi sobre Mitologias dos Fenícios. Depois veio o mestrado, com a pesquisa Símbolos Fenícios, e então o doutorado, com o tema Tradições artísticas da civilização fenícia entre 1.500 e 500 a.C.

As ninfas, tema recorrente nas pinturas de Esmandar, são consideradas parte da mitologia grega e eram adoradas no mundo helênico e especialmente no mundo fenício no Leste do Mediterrâneo. Elas são deusas menores da Antiga Grécia, seguidoras do deus Dionísio. “São sempre jovens, não envelhecem, simbolizam a fertilidade, a natureza”, fala Esmandar, demonstrando seu encanto pelo tema e conhecimento em mitologia.

Na exposição em Curitiba, podem ser vistas 25 telas de Ayman Esmandar.

Serviço

Exposição “Ninfas: as almas da floresta”
De 24 de julho até 07 de setembro de 2018.
Espaço de Arte Francis Bacon – Ordem Rosacruz (AMORC)
Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri – 82515-260 – Curitiba, Paraná.
Entrada franca
De terça a sexta-feira das 13h30 às 17h.

Contato:

Ayman Esmandar
Email: aymanesmandar@gmail.com

Divulgação
Reprodução
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