São Paulo – A Embaixada do Sudão no Brasil reuniu empresários brasileiros e sudaneses para apresentar oportunidades de investimento no país, que busca acelerar seu processo de reconstrução, com o arrefecimento do conflito civil, a perdurar desde 2023.
O encontro foi realizado na terça-feira (25), em São Paulo (SP), durante o Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, evento da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, dedicado à discussão das relações entre o Brasil e os países da Liga Árabe, que tem o Sudão entre os estados membros.

No evento, o embaixador sudanês no Brasil, Ahmed Swar, destacou que o Sudão vem vivendo uma redução gradual das hostilidades. Segundo ele, a maior parte do país, incluindo a capital Cartum, já se encontra livre de conflitos, e essa situação tem gerado uma grande demanda por todo tipo de produtos e serviços hoje indisponíveis localmente.
“Temos grande necessidade de cultivares para retomar a agricultura, tecnologias para a produção de alimentos, maquinário, materiais de construção e todo o tipo de profissionais”, afirmou Swar aos 19 empreendedores e representantes setoriais brasileiros e sudaneses reunidos para o encontro, entre integrantes da delegação do país africano e convidados da Câmara Árabe Brasileira.
Entre as possibilidades de cooperação mencionadas na reunião, um dos destaques foi a chance de investidores brasileiros participarem da exploração de ouro no Sudão. Segundo dados compartilhados no encontro, a produção de ouro do país segue ativa. Em 2024, o país produziu cerca de 464 toneladas do metal e avançou 70 toneladas sobre esta marca no ano seguinte.
“O setor [aurífero] está bastante ativo, assim como a exploração de outros minerais [entre os mencionados cobre, manganês e cobalto]. Eu creio que podemos estabelecer uma linha de comércio com o Brasil para o ouro e outros minerais do Sudão, no que pode ser o primeiro passo para a troca de tecnologia e investimentos entre nossos países”, disse à ANBA Mohammed Alkhateeb, da Sudanese Mineral Resources Company.
De acordo com Alkhateeb, atualmente, cerca de 111 empresas atuam na extração aurífera sudanesa. Outras 100 companhias se preparam para colocar suas extrações em produção. Há ainda outras 165 atuando diretamente no comércio, das quais 41 são estrangeiras. “Há oportunidades para as empresas brasileiras atuarem [também]”, afirma o sudanês, que no palco do fórum, depois da reunião, fez um convite público à brasileira Vale para participar.
Além do setor aurífero, a reunião abordou oportunidades em infraestrutura. No segmento, as demandas vão desde a reconstrução de estradas e novos portos no Mar Vermelho para desafogar os que hoje estão congestionados, até estruturas de armazenagem e a renovação da frota de caminhões, de preferência modelos produzidos no Brasil, considerados mais aptos à realidade do país do que veículos europeus.
Com a infraestrutura reconstruída, a expectativa da embaixada sudanesa é que o Sudão se torne uma plataforma para a produção de alimentos para empresas brasileiras, conectada a mercados do Oriente Médio e da África. A embaixada deseja, inclusive, o retorno dos agricultores brasileiros que atuavam por lá com muito sucesso antes de 2023 para apoiar o esforço de industrialização.
“O Sudão hoje precisa da agulha ao avião. Hoje o Sudão tem bastante ouro, mas nada além. O país precisa do Brasil para apoiá-lo na construção civil, na infraestrutura, em quase tudo. Qualquer empresa tem hoje espaço no país”, disse em excelente português Abdelaleim Hamad, proprietário da Zarif Importação e Exportação, sediada no Brasil.
Sudanês radicado em São Paulo, Abdelaleim Hamad disse que o governo sudanês está organizando uma missão com empresários brasileiros para os próximos meses, com o apoio de associações. Aos presentes, aliás, ele repetiu mais de uma vez o convite para a missão e ver com os próprios olhos o progresso do país.
Ainda no encontro, o empresário brasileiro Rafael Ribeiro, da trading Interway, manifestou aos sudaneses o interesse em negociar goma arábica, produto com muitas aplicações na indústria alimentícia, do qual o Sudão é o maior produtor mundial.
“Temos contatos com muitos fabricantes de doces brasileiros, que teriam interesse no produto. Estou pondo na mesa a possibilidade de estudarmos uma cooperação de benefício mútuo”, afirmou aos colegas da contraparte sudanesa.
Em 2025, o comércio Brasil-Sudão movimentou pouco mais de US$ 1,5 milhão. Em 2022, antes do conflito, as trocas comerciais entre os países superaram US$ 83 milhões. A meta da embaixada sudanesa é ao menos retomar este patamar no curto prazo.
O fórum promovido pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira tem como patrocinadores Fambras Halal, International Halal Academy, Vale, DP World, Cdial Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF Global Foods Company, Qatar Airways e MZAH Group Investment. São apoiadores institucionais Liga Árabe, União das Câmaras Árabes e Federação das Indústrias do Estado da Bahia. É parceira a Cacilda Aragão Tours.


