São Paulo – Estreia na quarta-feira (2), a 21ª edição da Mostra Mundo Árabe de Cinema, organizada em parceria entre o Instituto da Cultura Árabe (Icarabe) e o Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP), com patrocínio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e Casa Árabe. Em cartaz até 8 de setembro, a mostra terá nove filmes, dos quais sete inéditos no Brasil. Todos serão exibidos no CineSesc, em São Paulo.
A sessão de estreia será realizada com a exibição de “Calle Málaga” (2025), longa-metragem de Maryam Touzani. Estrelado pela atriz Carmen Maura, retrata a vida de uma espanhola que vive em Tânger, no Marrocos, até que sua filha decide vender o apartamento em que vive. Ela, então, se esforça para continuar a viver na cidade e manter o seu lar em uma jornada que também lhe trará descobertas.

O curador da mostra e diretor da Câmara Árabe, Arthur Jafet, afirmou que o objetivo foi procurar filmes que mostrassem sociedades árabes “em movimento”, de forma a evitar uma visão única ou simplificada do que é o mundo árabe. Assim, os longas selecionados abordam família, territórios e memórias. A seleção, disse Jafet, buscou ampliar o olhar não apenas para temas, mas para as formas de se contar as histórias por uma geração jovem que procura imaginar um futuro diferente. “O passado, nesses filmes, não aparece simplesmente como nostalgia, mas como uma matéria viva que o cinema recupera, questiona e reinventa”, diz.
Jafet destaca, além de “Calle Málaga”, as histórias de “Cotton Queen” (2025), de Suzannah Mirghani, que retrata transformações econômicas e sociais após o colonialismo britânico no Sudão, e “Hijra” (2025), de Shahad Ameen. “Hijra” retrata, por meio de três mulheres da mesma família, como cada geração se relaciona com a tradição na Arábia Saudita. “A própria diretora fala do filme como uma reflexão sobre essas diferentes gerações de mulheres sauditas e suas distintas percepções de liberdade”, observa Jafet. O curador chama atenção, também, para “Where the wind comes from” (2025), de Amel Guellaty, que aborda com humor o destino de dois jovens que cruzam a Tunísia para participar de um concurso.
Jafet explica que outro dos objetivos do evento é mostrar ao público que não existe apenas um “mundo árabe”, mas uma diversidade de países e povos que têm realidades muito diferentes, como Marrocos, Sudão, Tunísia, Egito, Arábia Saudita, Líbano e Iraque. Nascida 21 anos atrás, a Mostra Mundo Árabe de Cinema, diz Jafet, mantém sua vocação: permitir que o público brasileiro conheça as sociedades árabes “para além das imagens simplificadoras”. “Ao longo dessas 21 edições, a Mostra também acompanhou uma transformação muito importante do próprio cinema árabe, com novas gerações de cineastas, maior presença feminina, cinematografias de países antes pouco vistas internacionalmente e uma diversidade crescente de linguagens e assuntos”, afirma.
A 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema tem copatrocínio da Nasser Advogados e apoio cultural do Instituto do Sono e da Cátedra Edward Said de Estudos da Contemporaneidade da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade de São Paulo (Unifesp).
Mais informações e a programação completa estão disponíveis aqui.
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