Marrakech – O Marrocos é um país globalizado. Tem fábricas de carros, de peças para aviões e grandes lojas do varejo, oferece conexões aéreas com boa parte do mundo – com o Brasil, inclusive – e ainda assim conserva muitos costumes tradicionais que são verdadeiros refúgios da sua cultura: nas estradas do Sul, por exemplo, as placas de trânsito são escritas em árabe, francês e amazigh, idioma dos povos mais antigos do país. Qualquer restaurante tem no cardápio pratos muito antigos do povo marroquino. E há os souks: os quase intermináveis mercados de rua que celebram a arte árabe de negociar.

Em uma viagem ao Marrocos, seu guia de viagem fará de tudo para que você não se perca dentro dos souks. Vai criar rotas, estabelecer pontos de encontro, horários. Faz sentido: em Marrakech, por exemplo, os souks que ficam dentro da medina, a cidade antiga e murada como uma fortaleza, se distribuem por mais de oito mil ruas, muitas delas sem saída, em um verdadeiro labirinto. É nessas ruas que estão os souks de temperos e alimentos, os de artesanatos para o lar, de roupas, joias… sim, esses bazares mais ou menos são organizados por sessões temáticas.
Como cultura local que são, os souks acabam sendo parecidos. Em Casablanca e Marrakech a proposta é a mesma: negócio de rua direto entre vendedor e cliente sem muito protocolo e com muita (muita mesmo) negociação: uma compra de objetos de decoração para a casa pode começar em 300 dirhams, o equivalente a 150 reais… conversa vai, conversa vem, a conta acaba sendo fechada em 150 dirhams, ou 75 reais.
Vale fazer dizer que está caro, que a loja ao lado é mais barata, dizer que não vai comprar. Tudo é parte do jogo. Uma conversa que começa com cara feia geralmente termina com o vendedor dizendo “Brasil, Ronaldo, Ronaldinho, Neymar, obrigado”, como forma de se envolver e agradar o cliente.
Voltando ao desespero do guia de viagem, deixe-se perder pelos souks. É nesse passeio sem rumo que surgem as descobertas, como uma loja de luminárias, outra de chapéus trançados à mão e mais uma de bijuterias delicadamente feitas de forma manual. Entre uma rua e outra surge um largo com um belo restaurante ou até um museu para visitar. Mesmo em meio às diversas ruelas, até que é fácil se encontrar: pergunte a um vendedor onde fica a Praça Jemaa El-Fna.

Decore este nome e tudo se resolverá, até porque a praça por si só é um passeio. Durante o dia, a praça reúne um pouco de tudo o que há dentro dos souks. Não é como eles, mas se o tempo for curto, as lojas ali podem resolver a compra de lembrancinhas.
É de noite que ela se transforma. Próxima à Mesquita de El Koutoubia, é o centro nervoso da cidade. É onde se apresentam os artistas de rua, é onde é possível comer qualquer receita da culinária marroquina a preços muito baixos ao lado de pessoas do mundo inteiro. Um verdadeiro “street food” acompanhado de música, festa e muita agitação. Ali também vale se perder um pouquinho. A única dica é: se você realmente estiver perdido pare, volte para trás e pergunte às pessoas: onde fica a Praça Jemaa El-Fna?
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Viagem feita a convite da Braztoa e do ONMT e com seguro-viagem GTA


