São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe Brasileira está à disposição de empresas árabes e brasileiras para ajudar a manter o fluxo de abastecimento entre Brasil e países árabes, que têm no seu comércio produtos essenciais como os alimentos. Algumas nações árabes, em sua maioria do Golfo, estão sob ataques do Irã por causa do conflito do país persa com Estados Unidos e Israel. O Estreito de Ormuz, que fica ao lado do Irã e está fechado, é principal ou única via de chegada de navios para países como Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Iraque.
“Estamos sempre aqui à disposição para ajudar, auxiliar, esclarecer e, juntos, achar uma alternativa. Estamos em constante contato não só com as nossas embaixadas brasileiras nas regiões de conflito, mas também com os embaixadores árabes que representam aqui no Brasil os países que foram atacados”, disse à ANBA o vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da Câmara Árabe, Mohamad Orra Mourad.
O Brasil exporta para os países árabes alimentos como carne de frango, carne bovina, açúcar, soja, milho, entre outros produtos, e os árabes abastecem o Brasil principalmente com fertilizantes, essenciais para a produção agrícola, além de petróleo. Mourad não acredita numa ruptura ou bloqueio total desse comércio e entende que os impactos vão depender do quanto durar o conflito, que está em seu quinto dia.
“A nossa balança (comercial) é muito equilibrada, no sentido que os árabes são dependentes do nosso agro para garantir a sua segurança alimentar e o Brasil é dependente também do petróleo, derivados e principalmente do fertilizante (árabe), que é justamente o que facilita e torna a nossa agricultura mais eficiente, mais produtiva”, afirma. Em janeiro, o comércio das duas regiões somou US$ 2,6 bilhões entre exportações e importações.
O secretário-geral relata que estão sendo analisadas rotas alternativas para que o produto brasileiro chegue de maneira rápida e sem custo muito elevado aos mercados árabes. Mourad lembra que empresas que têm um estoque regulador local encontram facilidades em cenários como o atual. “Se você tem um importador, um distribuidor nos países árabes hoje que está abastecido com produto brasileiro, ele vai fazer entrega imediata, de forma que não exista a ruptura na cadeia de suprimentos”, afirma.
Países árabes como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano e Omã estão sendo afetados diretamente pelo conflito, como alvo de mísseis do Irã ou outro tipo de reflexos – o Líbano é atacado por Israel. Para abastecimento de produtos do exterior, alguns deles têm saídas para o oceano sem depender da passagem pelo Estreito de Ormuz: entre os citados acima, é o caso de Arábia Saudita, Jordânia, Omã e Líbano. Emirados têm uma pequena parte da costa antes de Ormuz, na região de Al Fujairah.
Prioridade
Apesar do acompanhamento do comércio, Mourad afirma que a preocupação número um da instituição é com os colaboradores de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde a instituição mantém um escritório. A equipe teve reunião com a matriz no primeiro dia após o início dos conflitos e está em comunicação para monitoramento da situação. “Essa é a nossa maior preocupação, as pessoas”, afirma Mourad. Ele diz que a Câmara Árabe está solidária com os países árabes. “Qualquer tipo de agressão aos países árabes, a gente sente de perto, sente na pele também”, afirmou, desejando que o conflito acabe rapidamente.
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