Chef aposta no frescor de temperos vindos direto do Líbano

Com a marca Mimos do Líbano, Sâmia Raule Sassine faz há oito anos pratos libaneses tradicionais e reinventados por ela. Para temperá-los, a chef utiliza zaatar, pimenta e azeite produzidos por sua família, na região norte do país árabe.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – O frescor de alguns dos ingredientes mais importantes dos pratos da Mimos do Líbano vem diretamente do país árabe. A chef e criadora da marca Sâmia Raule Sassine é filha de libaneses e mantém o vínculo com o país onde grande parte de sua família ainda vive. “Eles nunca se desvincularam do Líbano. Somos de uma região perto de Trípoli, minha família materna está toda lá. Em 1990, nós, os netos, começamos a voltar (do Brasil para conhecer o Líbano). Como temos terra lá e plantio de azeitona, toda hora vai alguém. Um tio, um primo, meu pai ou irmãos. Cada um que vai me pergunta o que eu quero e trazem”, explicou.

Da família, apenas Sassine decidiu empreender em um negócio ligado a alimentação. “Ninguém na minha família mexe com restaurante, são quase todos médicos. Eu era advogada e resolvi dar um tempo, só que eu fazia muita comida para casa. E como começou a sobrar, eu mandava para as pessoas. Aí as pessoas começaram a pedir. Fiquei um ano só fazendo coalhada e foi aumentando. A biblioteca da minha casa já era cozinha. Até que minha casa foi ficando pequena”, conta ela, que hoje tem a loja dentro de um shopping na capital capixaba.

A chef faz releituras de pratos libaneses e se diverte com as reações da mãe, libanesa, às inovações no pratos árabes

Sassine já perdeu a conta de quantas viagens fez ao país de onde vem sua família. “O Líbano é muito parecido com o Brasil no sentido da alegria e aconchego. E eles gostam de brasileiros, somos muito bem recebidos lá. Eu, por mim poderia morar lá”, afirmou ela.

Além do azeite da família, que ela conta ser mais apreciado por chefs de cozinha, a brasileira também utiliza zaatar e pimenta libaneses. Estes dois últimos são requisitados pelos clientes do buffet de alimentos take away, que também atende eventos e jantares na casa dos clientes. “Eu uso muito no meu dia a dia e quando vou cozinhar na casa de alguém. É mais o zattar e a pimenta, que meu público adora e me preocupa mais [se faltar]”, explica Sassine.

Antes da crise decorrente do coronavírus fechar as fronteiras da maioria dos países, Sassine conseguia abastecer a loja a cada dois meses, através dessas viagens. Agora, ela explica que ainda tem um estoque, e espera que através de um tio consiga receber mais ingredientes em breve.

Do tradicional ao criativo

A marca soma agora oito anos de história e conta com quatro funcionários. Mesmo com o crescimento, a chef fez questão de manter os alimentos frescos e com produção diária. “Vamos desde o árabe tradicional até releituras. No homus, por exemplo, eu faço temperado diferente. Tenho opções veganas, coloco cogumelo. Tenho tabule de quinoa com lentilha. Tenho coalhada sem lactose. Dou uma adaptada”, revela a dona da Mimos do Líbano.

Dentre os serviços da marca, Sassine explica que seu preferido é a preparação de pratos sob encomenda para jantares ou festas na casa dos clientes. “A pessoa pode buscar a comida ou enviamos, ou eu vou na casa dela e monto a mesa. Ou, ainda, vou e faço o evento todo, que é o que o pessoal chama de ‘chef em casa’. O que eu mais gosto de fazer é atender as pessoas em casa. Eu gosto de saber o que eu vou servir, então eu ligo para a pessoa e faço algo bem personalizado. Dá um incentivo, sabe? Agradar a pessoa através da cozinha”, destaca ela, que mantém flexíveis as quantidades e até abre exceções nos ingredientes para adequar os pratos à necessidade de cada cliente.

A realização na nova profissão fez com que Sassine não voltasse mais a advogar. Ela acredita que a mudança de carreira foi uma grata surpresa do destino. “Meu pai tem uma fábrica de uniformes profissionais, mas dessa geração dos primos, somos em 11, só eu tenho comércio. Hoje, eu ganho muito menos, mas os meus dias são mais legais. Tem dia que eu entro na cozinha, chego às 6h e quem trabalha comigo já sabe ‘ela vai criar alguma coisa’”, conta a chef.

Divulgação
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