Comitê já atende demandas de 26 entidades árabes

Câmara Árabe realizou reunião online com associações brasileiras parceiras da iniciativa criada para ajudar árabes no abastecimento durante a pandemia. Foram discutidos os próximos passos. Já são 26 os organismos árabes que se reportam ao comitê.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – O comitê criado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira para ajudar no abastecimento do mercado árabe durante a pandemia de covid-19 já recebe demandas de 26 entidades árabes e teve nesta quinta-feira (30) uma reunião online com representantes de associações setoriais brasileiras e órgãos parceiros da iniciativa para conversar sobre novos passos.

Preocupada com o fornecimento de alimentos ao mercado árabe, que não tem as condições climáticas ideais para a produção doméstica, a Câmara Árabe criou um comitê para receber demandas de órgãos oficiais dos países e repassá-las a empresas brasileiras capazes de atendê-las. As associações estão colaborando neste atendimento com seus quadros associativos.

As buscas árabes, inicialmente focadas em alimentos, passaram a incluir mais gamas de produtos brasileiros, inclusive de mais valor agregado. Rafael Solimeo, chefe do Escritório Internacional da Câmara Árabe, que fica em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, contou na reunião desta quinta-feira que no começo de junho eram cinco as entidades que se reportavam ao comitê para garantir o abastecimento dos seus mercados. Hoje são 26.

Os que recorrem à iniciativa para encontrar possíveis fornecedores no Brasil são comitês de crise, empresas e secretarias instalados nos países árabes para fazer frente à pandemia, além de outras entidades e órgãos ligados aos governos. Segundo Solimeo, o atendimento destas instituições pelo comitê brasileiro melhorou a experiência destes organismos no fornecimento quanto a prazos, custos e seriedade nos negócios.

Entre as demandas mais recentes recebidas estão frutas frescas, produtos cítricos, carne bovina, açúcar, milho, ração animal de soja, frutas congeladas, peixes, cereais, óleos, forragem, proteína, ovos, laticínios e derivados, legumes e máscaras de proteção. As buscas são de vários países, mas principalmente de Emirados Árabes e Arábia Saudita.

Solimeo contou que diferente do período inicial, onde tanto o mercado como esses organismos estavam eufóricos e apressados para o atendimento das necessidades locais, agora houve estabilização. “As demandas deram uma estabilizada, mas vieram para ficar”, disse, após sinalização de comitês e empresas criados para atuar no período de crise de que seguirão trabalhando no pós-pandemia.

A gerente comercial da Câmara Árabe, Daniella Leite, chamou os representantes das associações presentes na reunião a darem sugestões quanto aos próximos passos do comitê e apresentou um esboço sobre como a entidade pensa em seguir com as atividades. Entre os planos estão a divisão das associações segundo seus setores para o seguimento das ações, a promoção de eventos informativos, a realização de webinars para entendimento do mercado árabe e de rodadas de negócios online.

O encontro foi aberto pelo presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, que divulgou o novo nome da iniciativa, que se chamará “Comitê para Fomento de Negócios Brasil-Países Árabes”, e apresentou para as associações que participaram pela primeira vez da reunião o trabalho da Câmara Árabe e o potencial do seu mercado árabe. Hannun lembrou que são 420 milhões de habitantes nos países árabes, dos quais mais de 50% têm até 24 anos, formando uma população extremamente jovem.

O secretário-geral da entidade, Tamer Mansour, mostrou os números do comércio do Brasil com os árabes neste ano, com diminuição tanto na exportação como na importação e disse que se trata de diminuição decorrente da queda da economia mundial, o isolamento social e os problemas que a covid-19 causou nas rotas marítimas, principalmente nos embarques via contêineres do Brasil.

Mansour lembrou que os principais produtos exportados pelo Brasil ao mercado árabe são commodities, mas disse que o país tem condições de vender outros tipos de mercadorias também. “O Brasil tem todo o preparo para vender produtos de valor agregado, uma vez que a relação existe, há simpatia e há o conhecimento dos produtos brasileiros”, falou. Ele comemorou a abertura do mercado do Egito para derivados de frango, ocorrida na segunda quinzena deste mês.

No início do encontro foi apresentada uma pesquisa sobre a presença dos imigrantes árabes no Brasil feita pela H2R Pesquisas Avançadas e o Ibope a pedido da Câmara Árabe. A diretora da H2R, Alessandra Frisso, expôs os dados que mostram a forte presença de lideranças árabes ou de origem árabe nas empresas brasileiras e nas associações. Nas empresas esses líderes são 10% e nas associações 26%, percentuais bem acima da presença dos árabes no total da população brasileira, que é de 6%.

Reprodução/Zoom

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