Conheça os alimentos que o Líbano quer exportar ao Brasil

Primeiro dia da feira virtual de produtos libaneses trouxe 11 empresas de azeites e outros alimentos do país árabe com o objetivo de vendê-los ao mercado brasileiro.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – Azeites, azeitonas, vinagres, conservas, ervas e especiarias, geleias, molhos, alimentos congelados, xaropes. Estes foram alguns dos produtos apresentados nesta quinta-feira (02), durante o primeiro dia da feira virtual de produtos libaneses, promovida pela Embaixada do Líbano em Brasília. O evento contou com a participação de 11 empresas libanesas, sendo cinco especializadas em azeite de oliva. O público aproximado foi de 100 importadores brasileiros.

O adido econômico da embaixada, Anthony Moussa, moderou o evento que teve abertura da embaixadora Carla Jazzar, encarregada de negócios da embaixada. Jazzar lembrou que o evento ainda terá outros três encontros com diferentes produtos. “Os temas foram definidos por tipos de produtos que vimos potencial competitivo no mercado brasileiro”, disse a embaixadora. Para ela, o mais importante hoje na relação entre o Brasil e o Líbano é finalizar as negociações para o acordo de livre comércio Mercosul-Líbano. Ela afirmou que, segundo as autoridades, o acordo deve entrar em vigor até o ano que vem.

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Azeites

Empresas de azeites de oliva libaneses vêm buscando exportar ao Brasil. Antony Maroun apresentou seu produto, o Zeit Boulos, feito por sua família há mais de 55 anos. “Não é só minha profissão, é minha paixão”, disse no evento.

Segundo ele, logo que começaram já engarrafavam o azeite em garrafas de vidro, algo então inusitado, em um mercado de latas de azeite. Hoje, com uma nova fábrica, o azeite Boulos já ganhou diversos prêmios e obteve a certificação ISO de segurança alimentar, entre outras. Além do azeite extravirgem, a empresa vende azeitonas verdes e pretas, vinagre de maçã e de uva, e xarope de romã, entre outros produtos.

O azeite de oliva extravirgem Darmmess Early Harvest foi apresentado por Rose Bechara. Ela contou que os azeites da Darmmess já ganharam medalhas em competições mundiais e que o produto está presente em 11 países. A produção fica na região de Deir Mimas, ao sul do Líbano, segundo Bechara, a “Bordeaux dos azeites de oliva”. A empresa teve início em 2019, e seu diferencial é a colheita precoce, entre 1º e 12 de outubro. A cultura é orgânica e 100% das azeitonas são da variedade souri. A extração do azeite é feita a frio.

Youssef Fares representou a Olive Trade, que produz os azeites Zejd, além de outros produtos à base de azeite de oliva, como cosméticos, chocolates, aperitivos e molhos.

A Maison Kozaily Sarl foi apresentada por Diala Kozaily. A companhia produz azeite de oliva, azeitonas, azeitonas recheadas, geleias, vinagre de uva e de maçã. Diala afirmou que seu diferencial é o melhor custo-benefício.

A Bustan el Zeitoun foi representada por Walid Mushantaf. Ele contou que os azeites já receberam prêmios reconhecidos mundialmente e que eles produzem no sul do Líbano, em uma área de 50 hectares. Destes, 35 hectares são plantados e hoje há cerca de seis mil oliveiras de 12 variedades. A empresa produz de 15 a 20 toneladas de azeite ao ano.

Outros produtos alimentícios

Na ala das especiarias, Hala Mourady apresentou a marca Abido. A companhia vende mais de 350 produtos, entre ervas e temperos e também misturas para preparo de falafel e cuscuz, por exemplo. A Abido busca distribuidores no Brasil para os produtos serem vendidos em supermercados, hipermercados, redes de restaurantes e hotéis.

Kamal Naamani apresentou a Lamesa, marca de alimentos como kibes, esfihas, moussaka, homus, entre outros. Eles já vendem para os Estados Unidos, Canadá, França e alguns países do Oriente Médio, e a ideia agora é expandir para o mercado latino-americano. Com um famoso restaurante em Beirute, a empresa Marrouche de alimentos congelados e preparos para receitas apresentou seus produtos, entre eles sopas, lasanhas e pizzas.

A Al Wadi é uma marca libanesa de produtos como homus, tahine, baba ganoush, água de rosas, melaço de romã, entre outros. Segundo a representante Lorene Georges, a empresa já vende produtos no Brasil e o objetivo na feira é expandir seu mercado no País. A companhia foi fundada em 1979 e está presente em 30 países com seus mais de 150 produtos. Seu público-alvo é a diáspora libanesa e os amantes da culinária do país árabe.

A Judi Lebanon comercializa azeitonas, geleias, conservas e xaropes, além de grãos e especiarias. O representante Majeed Kaadan informou que a marca já é exportada para diversos países árabes e também para alguns europeus, além da Austrália e outros. Seu diferencial é a qualidade e o sabor, com produtos 100% naturais e sem conservantes. As geleias vêm em diversos sabores, como figo, morango, abóbora, laranja e maçã, e os xaropes são de tamarindo, damasco, romã, entre outros. Segundo o adido econômico, esses xaropes e geleias têm grande potencial no mercado brasileiro.

Elliott Rizk apresentou um novo produto, o Mum’s Chips (foto acima). São chips assados de maçã vermelha e maçã verde, sem adição de açúcar, sem gordura e sem conservantes. A maçã é apenas fatiada e assada, e vendida em pacotes de 40 gramas. Há quatro tipos: o chips de maçã vermelha, o chips de maçã vermelha com canela, o chips de maçã verde e o de maçã verde com tomilho. Segundo Rizk, é uma alternativa saudável que pretende competir com outros petiscos como pipocas e chips de batata. A empresa e os ingredientes são 100% libaneses. Eles já exportam para os Emirados Árabes. “Acho que essa é uma nova tendência de produtos, porque é saudável, assado, sem gordura”, disse o adido econômico.

Para mais comércio

Além das empresas libanesas, foram apresentadas outras iniciativas que podem ajudar no comércio de produtos do país árabe no Brasil. A  brasileira filha de libaneses Alexia Saddi apresentou o Empório e importadora de alimentos árabes, Saddi Center. A empresa brasileira foi fundada por seu pai em 1992 e hoje ela comanda o negócio. A Saddi Center revende diversos produtos libaneses no empório localizado em São Paulo, e também distribui para diversas regiões do Brasil.

Por fim, Cristian Kamel apresentou a Bieel Initiative, uma iniciativa de facilitação de comércio para empresas libanesas exportadoras. Bieel significa Business Innovation Enhance Exports for Lebanon (em tradução livre, inovação de negócios para aumentar as exportações do libano). A iniciativa tem cerca de um ano e já conta com cerca de 100 empresas de sete diferentes setores. São eles: azeite de oliva, uvas e vinhedos, zaatar e temperos, tahine e subprodutos, batata chips, doces, e frutas e nozes. A Bieel também visa o crescimento das empresas.

Ao final do evento, o adido falou sobre os próximos encontros promovidos pela feira e incentivou os participantes importadores brasileiros a entrar em contato com os empresários libaneses que se apresentaram.

Assista o vídeo com as apresentações completas abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=eg2Aqb_MY4U

Reprodução/Instagram

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