São Paulo – O açaí de uma cooperativa do Norte do Brasil vai passar a ser consumido pelos argelinos. Localizada no Arquipélago do Bailique, em Macapá, no estado do Amapá, a Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Bailique e do Beira Amazonas (Amazonbai) prevê fazer chegar um contêiner com 10 toneladas do produto ao mercado da Argélia no segundo semestre de 2026.
“É um mercado novo que está começando a consumir mais açaí como um superalimento (item natural de origem vegetal rico em nutrientes essenciais). E o fato de a gente produzir o produto nas comunidades foi o fator decisivo para que eles fechassem essa parceria com a gente”, contou para a ANBA o presidente da Amazonbai, Amiraldo Picanço.

“Como cooperativa, a gente sempre busca iniciar as vendas em um país novo, com um produto novo para eles, ajudando na implementação e na consolidação, para dar certo para todo mundo. Por isso, essa venda é muito importante e vamos conseguir avançar bastante neste território.”
As negociações com o país árabe começaram em dezembro do ano passado, quando a cooperativa participou da feira Food Africa 2025 no Cairo, Egito. “Durante o evento, uma empresa da Argélia pegou nosso contato e levou amostras do nosso produto. Em janeiro combinamos de nos encontrarmos de novo na Gulfood 2026 em Dubai, Emirados Árabes, e fechamos as negociações de 10 toneladas de açaí em pó”, relembra o presidente da cooperativa. A Gulfood é uma feira do setor de bebidas e alimentos.
Apesar das negociações já terem sido concluídas, a exportação do fruto ainda vai demorar por causa do tempo necessário para a safra. O alimento que antes demorava quatro meses para ficar pronto, hoje demora mais em razão das mudanças climáticas.
Além de ser produzido em comunidades, o fato de o produto ter certificação internacional é outro diferencial na hora de exportá-lo, segundo Amiraldo. “Desde o começo quando a gente criou a Amazonbai era nosso sonho buscar mercados diferenciados e ter o certificado do Forest Stewardship Council (FSC) tem nos ajudado a conversar com mais facilidade com representantes comerciais de fora do País.”
Além de outras certificações, o açaí da cooperativa ainda conta com o selo de indicação geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que atesta que o fruto da região de Bailique é sustentável e cultivado de forma natural, sem o uso de agrotóxicos, máquinas ou fertilizantes.
Atualmente exportando para os Estados Unidos e Portugal, até o final deste ano, além da Argélia, a empresa deve vender para outras seis nações, como Emirados Árabes e China. “Para Argélia e Dubai vamos vender o produto em pó e para a China será a polpa da fruta”, conta o profissional.
A cooperativa
Foi com o objetivo de gerar valor agregado para o açaí, dar visibilidade e qualidade de vida para as comunidades que vivem no Arquipélago do Bailique que a Amazonbai foi criada em 2017. Formado em Engenharia Florestal e mestre em Desenvolvimento Regional, Amiraldo foi um dos participantes da fundação da cooperativa.

“No começo a gente vendeu o caroço do fruto para o nosso município Macapá e para a cidade de Santana, no Amapá, depois fomos para Belém. Nesse início focamos nas vendas no berço do açaí”, diz Amiraldo.
“Apesar de termos começado em casa, desde o início nosso objetivo era exportar o produto feito pelas comunidades. Em 2021 fizemos a primeira exportação para duas empresas dos Estados Unidos e dois anos depois vendemos para Portugal e Bélgica.”
Além do crescimento previsto das exportações, a expansão da cooperativa mostra que o objetivo é chegar mais longe se diferenciando dos concorrentes. “No começo a gente contava com 37 famílias, hoje já são 159. Com planejamento estratégico, damos dois treinamentos, um comercial e outro de produção, e buscamos formas de estruturar a cadeia produtiva como um todo para trabalharmos com um produto seguro. Também contamos com dois manuais para o manejo do açaí”, conclui o presidente da cooperativa.
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