Curadoria de joias brasileiras quer atrair consumidor árabe

A Julls trabalha com designers brasileiros de joalherias autorais para o mercado externo e já vende para os Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, México e Porto Rico. A empresa pretende fazer um trunk show no Bahrein até o final do ano.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – Uma curadoria de joias brasileiras finas, com ouro e pedras preciosas, que representa cerca de vinte joalherias autorais no mercado externo em países como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, México e Porto Rico, a Julls, agora está de olho no mercado árabe e pretende fazer um trunk show no Bahrein, país do Golfo, até o final deste ano.

Debora (dir.) com a sócia Camilla Guimarães

As sócias Camilla Guimarães e Debora Lucki criaram a empresa Julls em 2015. Debora falou à reportagem da ANBA por telefone. Elas começaram a representação de joalherias para o mercado internacional em Nova York, fazendo trunk shows e curadoria de marcas brasileiras para apresentar aos compradores.

“É um formato muito assertivo porque os buyers entenderam que conseguem ver o que há de melhor em uma curadoria já feita; nós encurtamos a distância entre a marca e o buyer e diminuímos o trabalho de garimpo do comprador, e também cuidamos da exportação, reduzindo custos para os joalheiros”, contou Debora.

Segundo a empresária, os pontos de venda em Londres, como Net-a-Porter, atendem muito o público árabe. “A gente entendeu ao longo desses anos que o principal ponto de consumo dos países árabes é a Inglaterra, que funciona com berço de tendência para eles”, declarou Debora.

A partir dessas vendas para consumidores do Bahrein e dos Emirados Árabes, de Dubai e Abu Dhabi, a empresária conta que começou a conhecer o comportamento de consumo dos árabes. “Geralmente eles compram brincos grandes com pedras preciosas coloridas e esculpidas, com motivos florais e da natureza”, disse.

Peças têm ouro e pedras preciosas

Debora relatou o caso de um comprador árabe que comprou várias peças ao mesmo tempo. “Ficamos sabendo que era porque ele tinha várias esposas e precisava comprar uma peça para cada uma delas. É um comportamento diferente, e a partir daí começamos a ajustar valores e estilo para atender esse mercado”, contou.

Além disso, a empresária afirmou que o consumidor árabe gosta de ser muito bem atendido, e que mesmo em compras online, os sites disponibilizam o serviço de personal shopper, os vendedores pessoais que falam direto com o cliente.

Debora avaliou ainda que em sua experiência os árabes gostam mais de peças exclusivas. “Peças grandes, com pedras raras ou gemas grandes, e pedras de vários tons na mesma peça, como esmeralda, safira e rubi. Sem dúvida é um público de alto poder aquisitivo que gosta de pedras preciosas”, disse.

A Julls representa marcas como Dorion Soares, Ruth Grieco, Daniela Norinder, Aron Hirsch e Carolina Neves. As joias finas são peças em ouro com pedras preciosas. Entre as pedras brasileiras se destacam as gemas coloridas como topázios, quartzos e esmeraldas, muito bem vistas no mercado externo, segundo Debora.

Bahrein

A empresária afirma que está “namorando” o Bahrein há algum tempo para fazer um trunk show com marcas brasileiras e que com a pandemia, os planos foram atrasados, mas ela espera enviar cerca de 50 peças até o final do ano.

“Não vamos para o Bahrein, vamos só mandar as peças, em torno de dez peças por marca, em torno de cinco marcas, com uma transportadora de valores para sentir o mercado”, disse.

Em conversas com o showroom no Bahrein, Debora entendeu que o consumidor árabe precisa conhecer e confiar na marca. “Precisa ter um pouco de constância, que alguém que eles confiem introduza a marca, então estamos fazendo uma parceria com o showroom para que através de uma pessoa que eles conheçam possamos introduzir novas marcas para eles”, contou.

Curadoria de peças de vinte joalherias independentes

Além de peças grandes e pedras preciosas, Debora pretende levar também peças de joalheria para o dia a dia. “Também surtiu interesse por peças divertidas e mais leves para o dia a dia nesses pontos de venda”, disse.

A Julls tem interesse em ampliar as vendas aos árabes mas está indo com calma. “Para abrir esse mercado tem que ir tateando aos poucos, temos super interesse em ir construindo, explorar as marcas nesse mercado, queremos expandir, indo devagar, vendo quais as melhores soluções pra entrar no mercado, queremos fazer certo. Chegar de forma errada pode comprometer a expansão a médio prazo, então estamos indo devagar e experimentando”, disse.

Geralmente, a Julls realiza três a quatro showrooms por ano em diferentes países, mas com a pandemia, a empresa criou road shows online. “Criamos materiais online e está sendo um pouco diferente, tem tido retorno, mas está um pouco devagar por causa da pandemia mesmo”, disse.

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