Egípcio Mohamed ElBaradei ganha Prêmio Nobel da Paz

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o seu diretor-geral vão dividir o Prêmio Nobel da Paz de 2005. A escolha foi feita em função do trabalho da agência e do egípcio em prol da não-proliferação das armas nucleares no mundo. ElBaradei é formado em Direito e trabalhou na diplomacia egípcia antes de ingressar na agência.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

Da redação*


São Paulo – O egípcio Mohamed ElBaradei e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da qual é diretor-geral, foram os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2005. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (07) pelo Comitê Nobel do Parlamento da Noruega. O egípcio e a AIEA foram escolhidos em função dos seus esforços pela não-proliferação das armas nucleares no mundo.


De acordo com o Comitê, eles trabalham "para evitar que a energia nuclear seja usada com propósitos militares e para assegurar que a energia nuclear com fins pacíficos seja usada da forma mais segura possível". O Comitê definiu ElBaradei como um "advogado destemido" da não-proliferação de armas e o trabalho da AIEA como de "importância incalculável".


ElBaradei se disse surpreso com a premiação e afirmou que ela vai reforçar a sua determinação de lutar contra as armas nucleares e também estimular as ações da agência. O egípcio assumiu o cargo em dezembro de 1997 e está em seu segundo mandato, para o qual foi indicado em setembro de 2001. Desde 1984, porém, ele atuava na agência, em outros cargos, como o de membro sênior da secretaria da AIEA e o de conselheiro legal.


ElBaradei nasceu no Cairo em 1942. Filho do advogado Mostafa ElBaradei, ex-presidente da Associação dos Advogados do Egito, ele também se formou em Direito. Graduou-se na Universidade do Cairo e fez doutorado em Direito Internacional na Universidade de Nova Iorque. ElBaradei começou a carreira na diplomacia egípcia em 1964 nas missões permanentes do país árabe em Nova Iorque e Genebra como encarregado de assuntos políticos, legais e controle de armas. Também foi assistente especial do Ministério de Relações Exteriores do Egito.


EM 1980 deixou o serviço diplomático e tornou-se encarregado sênior do programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para Treinamento e Pesquisa. Entre 1981 e 1987, período em que ingressou na AIEA, também foi professor ajunto de Direito Internacional na Universidade de Nova Iorque.


A escolha de ElBaradei foi bem aceita por autoridades mundiais. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, declarou que a escolha foi "excelente" e elogiou o trabalho do egípcio. Fischer enfatizou que, mesmo em momentos de grande dificuldade, ElBaradei liderou a agência com "grande cuidado, imparcialidade e autoridade pessoal".


O ministro alemão afirmou também que a luta contra a proliferação nuclear é um dos maiores desafios do mundo atual. Ao ser informado do Prêmio, ElBaradei pediu apoio popular para resolver as questões do Irã e da Coréia do Norte.


O governo britânico também elogiou a premiação. Em nota à imprensa, o secretário das Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, afirmou que a Inglaterra continuará colaborando para a AIEA cumprir sua tarefa no mundo. Straw disse que a Inglaterra congratula ElBaradei por sua liderança na AIEA nos últimos oito anos.


Alfred Nobel, o criador do Prêmio, deixou escrito em seu testamento que a premiação deveria, entre outros critérios, ser dada a quem tiver feito o máximo possível "ela abolição ou redução de exércitos permanentes". Entre as pessoas que já receberam o Nobel estão a Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King, Nelson Mandela, Dalai Lama, Yasser Arafat e Kofi Annan.


*Com agências internacionais/tradução Mark Ament e Silvia Lindsey

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