Egito recebe última parte de empréstimo do FMI

Fundo libera parcela de US$ 2 bilhões, a última de um acordo de US$ 12 bilhões firmado em 2016. Diretor-gerente interino da instituição elogia reformas realizadas pelo país.

Da Redação
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São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou nesta quarta-feira (24) que completou a quinta e última revisão do programa de reforma econômica do Egito, liberando mais US$ 2 bilhões ao país. O acordo da instituição com a nação árabe foi firmado 2016 e totaliza US$ 12 bilhões.

“O Egito completou com sucesso o acordo de três anos sob o Programa de Financiamento Ampliado e atingiu seus principais objetivos. A situação macroeconômica melhorou significativamente desde 2016, apoiada pela forte apropriação pelas autoridades de seu programa de reformas e por ações políticas decisivas e antecipadas. As reformas macroeconômicas foram bem-sucedidas na correção de grandes desequilíbrios externos e internos, na estabilização macroeconômica e na recuperação do crescimento e do emprego, além de colocar a dívida pública em uma trajetória claramente de queda”, apontou em nota o diretor-gerente interino do FMI, David Lipton.

Uma das metas do acordo era controlar a inflação do Egito, o que, de acordo com Lipton, continua sendo um objetivo de médio prazo. “O núcleo da inflação parece estar bem contido, mas o Banco Central deve permanecer cauteloso até que a desinflação esteja firmemente entrincheirada. A flexibilidade da taxa de câmbio continua sendo essencial para melhorar a resiliência a choques e preservar a competitividade”, afirmou.

No período 2015/2016, o governo egípcio tinha uma dívida equivalente a 98% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Lipton, a meta de superávit primário em 2018/2019, de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), foi atingida, mantendo a queda na diferença entre dívida pública e o PIB. “Será importante manter os superávits primários neste nível no médio prazo para manter a dívida pública em uma trajetória de declínio. A eliminação da maioria dos subsídios aos combustíveis, que são regressivos, encorajará a eficiência energética, ajudará a proteger o orçamento de mudanças inesperadas nos preços do petróleo e liberará espaço fiscal para gastos sociais. A melhoria da mobilização de receitas também é essencial para criar espaço para gastos em saúde, educação e proteção social”, prosseguiu o diretor.

Para o FMI, a perspectiva para o país árabe é favorável e há oportunidade para avançar ainda mais em reformas estruturais que apoiem crescimento mais inclusivo liderado pelo setor privado e pela criação de empregos. “As autoridades lançaram reformas importantes da política de concorrência, compras públicas, alocação de terras industriais e empresas estatais, e a implementação sustentada será essencial para garantir que mudanças legais atinjam resultados significativos no clima de negócios. Aprofundar e ampliar as reformas efetivas é fundamental para sustentar as perspectivas positivas de crescimento e emprego”, concluiu David Lipton.

Ahmed Al Sayed/AFP

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