Sharjah mostra as várias faces de sua cultura na Bienal

Emirado é convidado de honra desta edição da Bienal do Livro de São Paulo e tem estande de destaque na mostra, com livros, música e arte locais.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – O emirado de Sharjah é convidado de honra da 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e está com um grande estande (foto acima) em local de destaque na mostra, com livros, arte e música da região dos Emirados Árabes Unidos. A Autoridade de Livros de Sharjah (SBA, na sigla em inglês) traduziu 40 títulos de autores do emirado para o português, especialmente para o evento, e está disponibilizando os títulos para venda pelo valor simbólico de R$ 10 para os visitantes.

“O critério para a escolha dos livros foi trazer um pouco do melhor que a literatura de Sharjah pode proporcionar, com os autores mais renomados e premiados da região e de gêneros variados, entre eles, contos, poesias, romances e livros técnicos, tudo para representar da melhor forma possível a cultura do emirado”, disse Faisal Alnabouda, executivo de vendas da SBA. Os livros estão traduzidos, mas foram editados de forma simples, todos eles têm um padrão parecido, por isso o valor simbólico. Alguns autores estiveram na Bienal do Livro apresentando suas obras e fazendo sessões de autógrafos.

Em destaque na coleção, estão quatro autobiografias de Sultan Bin Muhammad Al-Qasimi, governante do emirado de Sharjah, editados com um padrão de mais alta qualidade. O estande conta também com um acervo pessoal de Al-Qasimi com artes em caligrafia árabe e mapas antigos da região do Golfo.

A advogada Rosangela de Souza veio de Florianópolis para a Bienal e comprou três livros em exposição no estande de Sharjah. “Eu tenho muita curiosidade sobre outras culturas, valorizo muito a cultura árabe e gosto de entender cada vez mais sobre a história e o folclore da região”, contou.

Em outra área do estande, é possível acompanhar o trabalho de duas ilustradoras, a libanesa Maya Fidawi e a brasileira Rosinha. As duas estão criando um livro infantil silencioso (sem texto, somente ilustrações) em conjunto, mostrando a rotina de uma criança brasileira e de uma criança do emirado de Sharjah, a ser publicado após a Bienal. A ideia é finalizar o trabalho até sexta-feira (10) no estande e publicar em alguns meses nos dois países, promovendo uma comunicação universal.

A Associação de Editores dos Emirados (EPA, na sigla em inglês) tem uma área no estande para divulgar o trabalho dos autores do país e facilitar o contato entre editoras e suas obras, e está promovendo palestras e rodadas de negócios entre as editoras dos Emirados e do Brasil.

(Continua após a galeria)

O estande conta ainda com uma área para a promoção do patrimônio cultural de Sharjah, com mulheres dos Emirados fazendo desenhos de henna nas mãos de visitantes, mostruário de roupas típicas que podem ser vestidas para tirar fotografias, além de um trabalho manual chamado talli, uma tecelagem de tradição milenar do país.

“É importante mostrar os vários aspectos da cultura de Sharjah, como nos vestimos, como falamos, como nos comportamos, e é muito bom conhecer os brasileiros, como vocês pensam e o que acham da nossa cultura. Vocês são muito curiosos, perguntam tudo, é muito bom ser recebida com essa curiosidade, vocês são sensacionais”, disse a executiva sênior do Conselho de Artesanato Contemporâneo Irthi, Sharifa Hassan Mohamed.

Durante a manhã e a tarde de segunda-feira (06), o estande promoveu apresentações de música árabe com o cantor Taresh Khamis Al-Hashimi, que também toca o alaúde, instrumento de cordas típico do Oriente Médio. Al-Hashimi disse à ANBA que é muito importante estar aqui e complementar a feira do livro com a música, que é uma linguagem universal. “Eu fui convidado a representar a cultura musical de Sharjah, a nossa música fala da história milenar do nosso país, do povo e do deserto; os brasileiros são um povo muito musical, nos receberam muito bem e demonstraram muito interesse em saber mais sobra nossa música, que é diferente de outras músicas árabes”, afirmou. Segundo ele, a música é a verdadeira comunicação entre os povos.

Fambras

A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras) também está com um estande na Bienal do Livro de São Paulo. A ideia é promover a cultura islâmica de forma lúdica, com interações voltadas para o público infanto-juvenil. O estande inspirado na mesquita azul de Istambul, na Turquia, conta com imagens e figurinhas de inventores de origem muçulmana que mudaram o mundo, como Fátima Al-Fihri, tunisiana que fundou a primeira universidade do mundo, em Fez, no Marrocos em 859; e Mariam Al Ljliya, cientista, matemática e astrônoma síria que criou o astrolábio, instrumento utilizado para orientar as navegações no século 10. Além disso, o estande está distribuindo o gibi Khalil, que conta a história de um menino muçulmano, com o objetivo de desmistificar a religião entre os jovens leitores brasileiros.

A Bienal do Livro de São Paulo vai até 12 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na avenida Olavo Fontoura, 1.209 em São Paulo.

Bruna Garcia/ANBA
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