São Paulo – O governo da Argélia tem feito esforços para buscar o crescimento e renda em outros setores da economia, porém ainda depende do petróleo e precisa avançar em reformas. A avaliação é de uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que entre 16 e 30 de junho esteve em Argel para uma revisão dos dados macroeconômicos do país do Norte da África. A avaliação é que, embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido cerca de 3,9% no ano passado e deverá se expandir em 3,8% neste ano ainda é preciso realizar reformas estruturais.
A delegação do Fundo afirmou que, para o curto prazo, as perspectivas são “amplamente positivas” porque a alta nos preços dos hidrocarbonetos deverá beneficiar exportações. O déficit em conta corrente deverá diminuir, a inflação poderá sofrer leve alta e o déficit fiscal se manterá elevado.
“No médio prazo, a missão prevê uma moderação do crescimento, enquanto a persistência de déficits elevados deverá continuar a aumentar a dívida pública e a reduzir gradualmente as reservas. As perspectivas dependem de reformas que fortaleçam a sustentabilidade fiscal, diversifiquem a economia e estimulem o investimento privado”, afirma o documento da missão chefiada por Charalambos Tsangarides.
A diversificação e o dinamismo sugeridos pelo FMI devem apoiar o crescimento de outros setores, mas a Argélia precisa, também, reduzir a interpendência entre empresas estatais e bancos públicos e implantar reformas estruturais para promover o crescimento liderado pelo setor privado.
“As prioridades incluem a melhoria do ambiente de negócios, a criação de condições equitativas entre as empresas estatais e o setor privado, a redução das restrições comerciais e das barreiras regulatórias, o aumento da flexibilidade dos mercados de bens e de trabalho e a redução da informalidade por meio da digitalização e da reforma do regime tributário”, afirma o documento do FMI. O Fundo avalia, ainda, que a posição geográfica da Argélia e sua riqueza em recursos energéticos podem ser aproveitados para fortalecer seu papel no mercado de energia, especialmente na Europa e na África.


