Mulher síria cria projeto para capacitar chefs refugiados

Idealizado por Joanna Ibrahim, o Open Taste já atendeu 13 famílias imigrantes e agora busca fundos para ter espaço próprio e apoiar mais pessoas.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Há quatro anos vivendo como refugiada em São Paulo, a síria Joanna Ibrahim criou e leva adiante a iniciativa Open Taste, para dar capacitação a refugiados e imigrantes que moram no Brasil. Desde abril de 2018, o projeto atende estrangeiros que buscam na alimentação sua fonte de renda no País.

“Sou refugiada também. Quando cheguei, queria fazer um site para mim mesma, para vender algo meu, e vi a necessidade de capacitar outras pessoas. Com um ano e meio aqui, eu tinha um pouco de conhecimento em português e comecei a ajudar famílias sírias, traduzindo o que podia. Minha ideia é criar uma comunidade que se apoie. Pergunto para eles: onde você quer chegar? E digo: para isso tem os passos 1, 2, 3 e 4. Posso te oferecer o 1 e o 2. Posso te conectar com outras pessoas e aí é com você, para buscar o restante. Eles me perguntam como falo português bem. Cheguei sem falar uma palavra”, contou Ibrahim, que aprendeu o idioma com persistência e treinando enquanto via suas séries favoritas, como Friends, em português.

Na Síria, Ibrahim morava na capital, Damasco. “Eu sou de uma família empreendedora e digo isso com muito orgulho! Nunca tinha trabalhado com comida, mas tenho tios que são gerentes de restaurantes, meu irmão é chef de cozinha. Acabei escutando sobre [tema] e convivi todos os dias, mas não sabia como isso um dia seria útil”, lembrou ela, que conta hoje com o apoio do grupo de voluntários Base Colaborativa, equipe que auxilia pequenos projetos com planejamento de suas ações.

O Open Taste começou com o aluguel do espaço House of Food para fazer um restaurante compartilhado onde os refugiados cozinhassem e pudessem vender os alimentos preparados, mas agora veio a vontade de inovar na iniciativa. “Vimos a necessidade de ter o próprio espaço e pensar na carreira destas pessoas. Não é somente ir lá vender. A ideia é ter o programa para o ano inteiro, onde eles trabalham e têm experiência real, para pensarem na carreira e não somente para vender no momento”, explicou Ibrahim.

Desde sua criação, o projeto apoiou 13 famílias de refugiados que trabalham vendendo comida, entre eles pessoas que vieram de países árabes como a Síria, Palestina e Iraque. A ideia é iniciar a capacitação batizada de “Empoderamento Via Experiência de Refugiados”, que vai trabalhar com estratégias de longo prazo, em local próprio. “Precisamos de um lugar para fazer um programa de carreira, começando por treinamento. Quando vimos que não havia recurso para continuar, lançamos vaquinha on-line e já conseguimos R$6 mil na plataforma, e outros R$20 mil doados em paralelo. Precisamos atingir a meta de R$100 mil para conseguir realizar nosso sonho”, afirmou Ibrahim.

Ela faz o marketing do projeto para atrair clientes para oos refugiados, mas não hesita em ajudar em outras tarefas. “Geralmente, é o esposo e esposa que trabalham juntos, compram os ingredientes. Mas quando precisa, eu também sou voluntária, atendo os clientes, já entrei na cozinha para cortar alimentos. Vimos que realmente é importante pensar na pessoa, na carreira dela”, contou.

Veja um pouco sobre o projeto, nos depoimentos de Joanna e de participantes:

Divulgação

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