Isaura Daniel
São Paulo – A comida árabe está tão presente no cotidiano brasileiro que já chegou às festas religiosas mais importantes, como a Páscoa. A maioria dos árabes cristãos mantém a tradição de reunir a família em volta da mesa no domingo de Páscoa e nessa hora as receitas de mães e avós da colônia costumam estar lá. A descendente de sírios Ivone Kurbhi, 87 anos, normalmente faz um almoço para a sua família na data. São servidos, de acordo com sua nora, Maria Lúcia Haddad Kurbhi, desde quibes até abobrinha recheada e arroz de frango.
Maria Lúcia também prepara um jantar ou almoço para a família neste período do ano, mas na sexta-feira Santa, dia em que cristão como os católicos se abstêm de comer carne, exceto de peixes. Católica, ela cozinha o tradicional bacalhau, mas sempre faz também alguma comida árabe para acompanhar, como o quibe de peixe. Maria Lúcia trabalha com culinária. Ela fornece doces, especialmente árabes, para eventos, e como especialista do ramo, afirma que é possível fazer refeições totalmente árabes na sexta-feira Santa.
A lista de sugestões vai desde o charuto de folha de acelga, com arroz e grão de bico, o quibe de peixe, recheado com nozes e cebola, o risoto de peixe, chamado formalmente de Saiadíe, que leva manteiga e pimenta síria. Também pode ser feito, de acordo com Maria Lúcia, tabule, salada que leva trigo, tomate, cebola e tempero verde, e a lentilha com arroz à moda árabe, denominada Mudárdara. Para sobremesa, tanto da sexta-feira Santa como da Páscoa, a empresária sugere doce de queijo com pistache, torta folheada recheada com nata, e Ataief, pastel com nata ou nozes.
No comércio
A movimentação nas cozinhas e na sala de jantar de casas árabes na Páscoa também gera algum aumento nas vendas de quem trabalha com comercialização de produtos típicos da colônia. Na Confeitaria Pajé, que vende ingredientes para preparações de comidas árabes e também produtos prontos, o Mamoul, um doce amanteigado que pode ser recheado com nozes, tâmaras ou pistache, costuma sair bastante neste período do ano. O proprietário da confeitaria, Nadim Nagib Kahil, afirma que não sabe dizer exatamente o motivo pelo qual isso ocorre, mas que alguns doces, como o Mamoul, têm maior saída na Páscoa.
Também no Empório Syrio, loja de produtos árabes, cresce a procura por frutas secas, como damasco e tâmaras, que são usadas como recheio de doces da culinária árabe, antes da Páscoa. Esses também são os produtos que têm um grande volume de compras durante o ano, de acordo com o gerente da loja, Alexandre Luiz Pereira. O Empório Syrio, de propriedade de Ricardo Cury, é uma das mais tradicionais lojas de produtos árabes alimentícios de São Paulo, com 82 anos de existência.
Apesar da culinária árabe fazer parte das festas de Páscoa, a maioria dos integrantes da colônia que vive no Brasil também dá de presente ovos de chocolate aos seus filhos na data, como manda a tradição.
Serviço
Empório Syrio
Rua Comendador Abdo Schahin, 136
Bom Retiro – SP
Confeitaria Pajé
Rua Afonso Kherlakian, 63
Centro – SP
Maria Lúcia Kurbhi
Site: www.marialuciasouvenirs.com.br
E-mail: [email protected]
Telefone: (11) 3021-9723

