Sem Rússia, Minerva exporta mais ao Oriente Médio

A indústria direcionou parte dos cortes que iam de unidades brasileiras para a Rússia à região. Mercado russo mantém embargo à carne bovina brasileira desde o final do ano passado.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – O Oriente Médio foi o principal destino das exportações das unidades brasileiras da Minerva em doze meses até o final de junho, segundo informações divulgadas pela companhia e comentadas em conferência com investidores nesta quarta-feira (8). A região respondeu por 29% de tudo o que a empresa exportou no período a partir do Brasil, um ponto percentual acima do registrado nos doze meses anteriores.

“Parte dos cortes direcionados anteriormente para Rússia, também são distribuídos para países do Oriente Médio e Norte da África”, informou a indústria no relatório de resultados. A Rússia embargou a carne bovina brasileira no final do ano passado e a Minerva passou a exportar mais ao mercado russo a partir de suas unidades em países como o Paraguai. A Minerva tem produção no Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Colômbia.

Na conferência com investidores, o diretor-presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, destacou a participação de Oriente Médio e Ásia como destino das exportações da empresa do Brasil, com 53% do total em doze meses. De acordo com o empresário, esses são mercados em crescimento em função da crescente urbanização e da mudança de hábitos de alimentação, principalmente entre os chineses, que vêm melhorando seus padrões.

As exportações da empresa a partir do Brasil resultaram em receita bruta de R$ 4,7 bilhões entre julho de 2017 e junho de 2018, valor 16% maior do que em doze meses anteriores. No segundo trimestre do ano, as vendas ao exterior somaram R$ 1,1 bilhão, com estabilidade sobre iguais meses do ano passado. “O resultado das exportações no trimestre foi fruto do maior consumo de mercados asiáticos e Oriente Médio, e do redirecionamento de parte do volume para o Chile”, informou a companhia no relatório.

Levando em conta todas as operações da Minerva, no Brasil e nos outros quatro países em que produz, a exportação somou R$ 9,3 bilhões em doze meses encerrados em junho, com alta de 50% sobre o período anterior. No segundo trimestre foram R$ 2,5 bilhões, com aumento também de 50% sobre iguais meses de 2017.

Galletti falou que a receita líquida da empresa em doze meses ficou acima do guidance divulgado no final do passado e atribuiu à exportação. “Pelo perfil exportador da companhia em um ambiente de taxa de câmbio mais depreciada”, disse. A receita líquida somou R$ 14,9 bilhões em todas as operações da empresa e subiu 52%.

O crescimento da receita líquida no segundo trimestre sobre os mesmos meses de 2017 foi de 45% e o valor ficou em R$ 3,7 bilhões. “O trimestre foi marcado pela alta do dólar em relação ao real e ao peso argentino, o que tornou ainda mais atrativa a atividade de exportação nesses países”, informa o relatório. A exportação respondeu por 64% da receita bruta da companhia.

A Minerva tem 8% das exportações mundiais de carne bovina e responde por 25% das exportações do produto da América do Sul, com liderança na região na exportação de carne bovina in natura e derivados, segundo informações divulgadas pela empresa. O fundo Salic, da Arábia Saudita, tem participação na companhia. Na conferência com investidores, a empresa informou que pretende abrir o capital das unidades internacionais em bolsa no Chile.

 

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