São Paulo – O estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil, deverá ter, a partir do ano que vem, um curso de especialização sobre convivência com o semiárido. O clima, que tem como característica a baixa umidade e a escassez de chuvas, abrange maior parte dos estados nordestinos. Por isso, lideranças educacionais da região entregaram, na última semana, a proposta de um curso, chamado “Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido” para a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
A iniciativa é do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) em parceria com a Rede de Educação do Semiárido Brasileiro (Resab), esta última formada por educadores que atuam no semiárido brasileiro. A especialização deve ser voltada para professores de escolas públicas de educação básica, de acordo com Silvio Rossi, professor da universidade e coordenador do grupo que elaborou o projeto. O grupo de trabalho foi formado em março deste ano após uma oficina que reuniu representantes da área de educação da região.
Ainda não há uma resposta oficial da UFCG sobre a implementação do curso, mas Rossi acredita que a aprovação dele será rápida, já que a universidade acompanhou a iniciativa do projeto e vários professores envolvidos trabalham nela. O objetivo é que a especialização comece já no próximo ano. Em março do ano que vem deve abrir uma turma, para 40 pessoas, em Sumé, no Cariri da Paraíba, e em julho uma outra classe com a mesma quantidade de pessoas, no município de Cajazeiras, no Alto Sertão da Paraíba.
De acordo com Rossi, pela localização, a turma de Sumé poderá ser frequentada por professores de Pernambuco, já que a região está na divisa entre os dois estados, e a de Cajazeiras por educadores do Ceará e do Rio Grande do Norte. A especialização deve preparar os professores para ensinar segundo o contexto do semiárido. Rossi explica que o objetivo do curso não é modificar os conteúdos da educação básica, mas ensinar como desenvolver estes conteúdos levando em conta a realidade local das crianças.
“Esperamos que mais adiante, quando estiverem na universidade, esses alunos tenham condições de contribuir de maneira mais efetiva para valorizar e descobrir novas potencialidades da região”, explica Rossi. A idéia é aplicar o projeto também em outros estados do Nordeste, para gerar iniciativas semelhantes. De acordo com Rossi, já há conversas, neste sentido, com a Secretaria Estadual de Educação do Ceará.

