Setor privado cresce nos Emirados e Arábia Saudita

Pesquisa do banco Emirates NBD mostra atividade privada em alta nos dois países em maio. No Egito, porém, houve um recuo no mesmo mês.

Da Redação
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São Paulo – O setor privado não ligado à indústria petrolífera dos Emirados Árabes Unidos registrou em maio o maior ritmo de crescimento desde outubro de 2014, de acordo com pesquisa do banco Emirates NBD (prédio à esq. na foto), uma das maiores instituições financeiras do Oriente Médio. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (10) pelo site de notícias econômicas Zawya, da Thomson Reuters.

O Índice de Gerentes de Compras dos Emirados (PMI, na sigla em inglês), medido pelo banco, subiu para 59,4 pontos em maio, ante 57,6 pontos em abril. De acordo com o Zawya, resultados acima de 50 pontos significam crescimento e, abaixo, contração. O indicador acompanha as atividades da indústria e do setor de serviços.

O crescimento, porém, não se refletiu na geração de empregos, que permaneceu praticamente estável no período, segundo o Zawya, embora o indicador de produção tenha avançado, assim como o de novas encomendas.

Entre os fatores que influenciaram o resultado estão demanda maior, atividades de marketing e o início de novos projetos. A pesquisa indica que as empresas esperam que o crescimento vá continuar no próximo ano.

A demanda externa, de acordo com o site, aumentou no ritmo mais alto da história de quase 10 anos do índice, impulsionada por encomendas da Arábia Saudita e de Omã.

Na avaliação da pesquisadora chefe do Emirates NBD para o Oriente Médio e Norte da África, Khatija Haque, o avanço da produção e da demanda foi alavancado pela realização de descontos e por encomendas externas, sem que tenha ocorrido variação significativa nos níveis de empregos e salários, o que mostra que as empresas estão relutantes em contratar novos funcionários. “O ambiente continua desafiador para os negócios”, disse Haque, segundo o Zawya.

Arábia Saudita

Food truck em Riad, na Arábia Saudita

Na Arábia Saudita, o setor privado não ligado ao petróleo teve em maio o maior crescimento em 17 meses. O site ressalta, no entanto, que a base de comparação é baixa, pois no ano passado a economia saudita foi afetada por aumento dos preços dos combustíveis, pela introdução de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 5% e pelo custo mais alto de contratação de mão de obra estrangeira.

O PMI do Emirates NBD para o país chegou a 57,3 pontos em maio, ante 56,8 em abril. No acumulado de 2019, a média do indicador está em 56,8 pontos, contra 53,8 em 2018. “O crescimento gradual do PMI este ano sugere que o crescimento do setor privado não-petrolífero do reino está se recuperando depois de um 2018 fraco”, afirmou Haque.

A produção cresceu frente ao aumento da demanda. Houve um pequeno aumento na geração de empregos, mas ainda fraco.

Egito

Na direção contrária, o setor privado não ligado ao petróleo do Egito recuou no mês passado, após ter registrado em abril sua primeira expansão em oito meses. O PMI do Emirates NBD para o país ficou em 48,2 pontos em maio, ante 50,8 no mês anterior. O índice relativo à produção também recuou.

O economista do Emirates NBD para o Oriente Médio e Norte da África, Daniel Richards, disse que a iniciativa privada do Egito sofre o impacto de reformas econômicas em execução no país e que esta pressão deverá permanecer nos próximos meses.

Turistas posam em frente às Pirâmides de Gizé, no Egito

“Apesar da desaceleração do aumento de preços ter dado um fôlego nos últimos meses – a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor caiu para 13% ao ano em abril -, as reformas que virão nos subsídios e uma nova pausa no ciclo de cortes (de juros) do Banco Central do Egito indicam que as condições vão permanecer difíceis para empresas privadas”, afirmou Richards, segundo o Zawya.

De acordo com o site, o Egito deve cortar o que resta de subsídios sobre os combustíveis, como parte do acordo de US$ 12 bilhões firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2016. Em função do acordo, além da redução dos subsídios, o Egito permitiu a livre flutuação da libra, a moeda local, que teve forte desvalorização, e também introduziu um IVA.

“O recuo para abaixo dos 50 pontos foi influenciado tanto pela produção quando por novas encomendas”, comentou Richards. Foi registrada ainda queda na demanda externa por produtos e serviços privados do Egito.

Há, no entanto, perspectivas mais otimistas para o futuro. “As companhias privadas egípcias ainda vão permanecer sob pressão durante os meses de verão [no Hemisfério Norte], mas nós mantemos nossa perspectiva de que as condições vão melhorar”, declarou Richards.

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