São Paulo – As exportações brasileiras para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês), que ficam na região do conflito de Estados Unidos e Israel com o Irã, voltaram a subir em junho, depois de amargar quedas em março, abril e maio, segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da Câmara de Comércio Árabe Brasileira a partir de dados compilados pela instituição. O GCC é integrado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
O avanço em junho sobre o mesmo mês de 2025 foi de 1,25% para US$ 758,14 milhões. Já no primeiro semestre do ano, as vendas brasileiras para o bloco caíram 4,01% sobre o mesmo período do ano passado, totalizando de US$ 4,17 bilhões. Para a Câmara Árabe, o crescimento de junho sinaliza a possibilidade de reversão das perdas derivadas do conflito na região, que desde fevereiro limita o acesso de embarcações aos portos do Golfo com o bloqueio do Estreito de Ormuz, afetando o comércio internacional.
O vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da Câmara Árabe, Mohamad Orra Mourad, afirma que ainda é cedo para saber se a alta de junho vai persistir e viabilizar a recuperação dessas perdas. Ele, no entanto, faz um prognóstico favorável ao Brasil para os próximos meses. Ele lembra que no segundo semestre, as vendas costumam adquirir tração com a formação de estoques de alimentos para o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que, em 2027, começa em fevereiro.
“O Brasil não perdeu espaço nos maiores mercados árabes. O setor exportador encontrou rotas para fazer seus produtos chegarem ao Golfo, usando portos do Mar Vermelho, junto com modais rodoviário e aéreo. Os custos desse rearranjo estão sendo absorvidos por exportadores, importadores e consumidores finais. E a demanda ainda é similar à de tempos de paz”, explica Mourad.
As vendas brasileiras para os 22 países árabes, incluindo os do Golfo, acumulam alta de 3,73% no primeiro semestre, para US$ 9,56 bilhões. Houve avanço na exportação para países árabes de fora do Golfo, mas também para mercados dessa área. As vendas para os Emirados, por exemplo, subiram 6,01% no semestre, para US$ 1,72 bilhão. Para a Arábia Saudita, a alta foi de 11%, para US$ 1,51 bilhão. Para o Egito, a alta foi de 31,73%, para US$ 1,68 bilhão. A Argélia comprou 12,49% mais do Brasil, no caso US$ 1,32 bilhão.
As exportações de produtos agrícolas brasileiros para os países árabes foram lideradas pelo açúcar, que recuou 7,45% no semestre sobre igual período de 2025, para US$ 1,79 bilhão, seguido pelo frango, com queda de 9,99%, para US$ 1,57 bilhão, e depois pelo milho, com alta de 49,51%, ou US$ 794,90 milhões.
Segundo Mourad, recuos em produtos importantes foram contrabalançados por avanços em outras categorias, tornando o resultado geral compatível com as oscilações históricas, o que faz o secretário-geral ver a possibilidade de recuperação das vendas até o fim do ano. “O Brasil segue liderando o fornecimento de alimentos para os países árabes, inclusive para os do Golfo. Se continuarmos assim, podemos ter, inclusive, avanço nas receitas sobre o ano passado”, prevê.
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