São Paulo – O efeito das interrupções da navegação no Estreito de Ormuz é particularmente severo nos países menos desenvolvidos e nos pequenos estados insulares em desenvolvimento, segundo informações divulgadas pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) nesta sexta-feira (18). A organização disse que 61 economias enfrentam exposição dupla ao problema por serem tanto importadores líquidas de energia como de cereais.
O assunto foi tema de discussão na sessão “Ormuz em crise: protegendo economias vulneráveis” no Fórum Público da Organização Mundial do Comércio (OMC), que ocorreu em Genebra, na Suíça, de terça-feira (15) a quinta-feira (17), e no qual o secretário-geral em exercício da Unctad, Pedro Manuel Moreno, participou.
Em texto pós-fórum, a Unctad informa que muitos desses 61 países entraram na crise com altos níveis de endividamento e reservas financeiras limitadas. “Manter as rotas marítimas abertas, seguras e previsíveis não é apenas uma questão de comércio. É uma condição para o desenvolvimento”, disse Moreno.
Segundo as informações da Unctad, o Estreito de Ormuz responde por cerca de 11% do comércio marítimo global em volume e por aproximadamente um terço das exportações de petróleo por via marítima. A Unctad estima que um aumento de 50% nos preços do petróleo poderia elevar em US$ 20,4 bilhões anuais os custos de importação de petróleo para essas economias mais vulneráveis.
Segundo o organismo, o fornecimento de fertilizantes representa outra preocupação, uma vez que cerca de um terço do seu comércio global por via marítima passa pelo Estreito de Ormuz. A Unctad afirma que custos mais elevados de energia e fertilizantes podem afetar os agricultores, os preços dos alimentos e as safras futuras. “Os choques se propagam rapidamente, mas demoram a passar”, disse Moreno.
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