Visita de Tereza Cristina a países árabes abriu portas

Ministra da Agricultura encerrou agenda de viagem a quatro países árabes neste domingo (22). Empresas participantes da delegação viram saldo positivo.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

Dubai – Os empresários brasileiros e representantes de entidades que participaram da missão da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, a quatro países árabes acreditam que a missão ajudou a abrir portas para seus produtos na região. A agenda da viagem começou no último sábado (14), no Egito, seguiu na Arábia Saudita, no Kuwait e foi concluída neste domingo (22) nos Emirados Árabes Unidos.

“Uma visita ministerial sempre melhora os níveis de relação, os níveis de negócio e ajuda no fortalecimento dessa parceria que já é de muito tempo”, disse à ANBA o diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, que acompanhou a missão até o Kuwait. Ele destacou especialmente a abertura de mercado para ovos líquidos e em pó na Arábia Saudita, onde acordo sanitário permitirá a exportação brasileira.

A ministra negociou também a abertura do mercado de carne bovina no Kuwait, o ela espera que ocorra em breve, e isso deixou os empresários entusiasmados. O diretor de comércio exterior da Masterboi, Márcio Rodrigues, afirma que a empresa enxerga muitas oportunidades no Kuwait. Em outros mercados como Emirados e Egito, a empresa tem exportações bem estabelecidas. “Sempre portas são abertas durante essas viagens”, disse.

A Cdial Halal, empresa de certificação de produtos halal, acompanhou a abertura de mercados. “Nós certificamos as empresas, então o sucesso dessas empresas acaba nos atingindo. O nosso trabalho não é esperar que as coisas aconteçam, nós ajudamos a convencer, a explicar, a propagar o produto brasileiro, o respeito que as empresas brasileiras têm com os preceitos islâmicos”, disse o diretor executivo da empresa, Ali Saifi. Segundo ele, a missão mostrou o respeito que há entre o Brasil e os países árabes.

O gerente da Marfrig em Dubai, Jalal Suliman, afirmou que conseguiu estabelecer mais relações e contatos com os clientes e com os governos dos países pelos quais a missão passou. Ele também tem boas expectativas para a abertura do mercado do Kuwait e afirma que a empresa só está esperando o mercado ser liberado para começar a vender, já que antes de o mercado ser fechado, em 2013, a empresa vendia bem na região.

Também participou o diretor do Programa da Secretaria de Coordenação de Transportes-Rodovias, Renan Brandão, que apresentou projetos para investimentos aos árabes, especialmente em logística ligada ao agronegócio. Ele disse que foi uma oportunidade de retomar contatos feitos em 2017, que não tinham tido continuidade, e acredita que chamaram a atenção os projetos de ferrovias. “A grande mudança de chave na logística vai ser se a gente conseguir implantar concessões de ferrovias que mudem um pouco a matriz de transportes do País”, disse Brandão.

O deputado federal Alceu Moreira (MDB), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, encerrou a missão pensando nas ações que devem ser feitas. Moreira quer reunir os envolvidos na viagem para verificar como enfrentar vazios detectados para acesso aos mercados, como questões burocráticas e a comercialização de produtos que não são commodities e nem estão apoiados por grandes matrizes empresariais, como os de cooperativas. “O que se notou aqui é que nós temos mercado para mais de uma centena de produtos”, disse ele. “Nós estamos lá com 12 milhões de desempregados (no Brasil) e aqui tem um mercado aberto gigantesco no qual nós não conseguimos chegar porque tínhamos processos que estavam parados na prateleira desde 2013, 2016”, diz.

O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, também já está pensando na continuidade das ações, o que, segundo ele, é importante para o trabalho não gere resultados abaixo do potencial. “Pelo lado brasileiro, a missão foi produtiva já que todos puderam sentir o tamanho do mercado e diagnosticar em que podemos trabalhar para aproveitar este potencial, em todos os âmbitos, do estratégico ao tático”, diz. “Pelo lado árabe a missão também foi boa, eles colocaram suas opiniões sobre as relações entre os países, suas necessidades, suas posturas atuais. Enfim, a conexão existiu e isto resultou em relacionamento mais próximo”, disse à ANBA.

A ministra Tereza Cristina percebeu mudança importante de postura dos países árabes em relação à segurança alimentar. “Todos colocaram de uma maneira ou de outra a intenção de parcerias estratégicas com empresas brasileiras que queiram vir para cá processar seus alimentos, trazer produtos do Brasil, mas principalmente produzir alguma coisa nos países do Golfo”, afirmou. A ministra disse que isso precisará ser trabalhado pelo governo brasileiro, Ministério da Agricultura e Câmara Árabe. “Para que a gente possa reunir os empresários que exportam para cá ou que têm interesse de exportar, e mostrar a nova política de segurança alimentar que eles estão implementando”, disse a ministra.

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