São Paulo – O Dia Nacional da Comunidade Árabe foi celebrado na noite de quarta-feira (25), na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, com o lançamento do livro “O mascate” (ed. Tabla), de Salem Nasser, com ilustrações de Ana Cartaxo. Na ocasião, a instituição lançou o “Mapa do legado da imigração Árabe em São Paulo”, que localiza na cidade as instituições criadas e mantidas pela comunidade.
Professor de Direito na Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), Salem Nasser decidiu escrever o livro “O mascate” como forma de mostrar aos seus filhos e às crianças a história de muitos imigrantes árabes que buscaram no Brasil um novo lar. A inspiração para a obra veio de casa: Salem se inspirou no próprio pai, libanês, para construir a trama.

Durante o lançamento do livro, ele e a ilustradora e diretora de Arte da Tabla, Ana Cartaxo, participaram de um bate-papo com a diretora editorial da editora, Laura Di Pietro. Os três filhos do autor leram o livro para o público de cerca de cem pessoas antes da abertura da sessão de autógrafos. Em sua apresentação, Nasser afirmou acreditar que muitas pessoas se identificarão com a história que ele retrata.
À ANBA, afirmou que o lançamento desta obra no dia da imigração é uma “feliz coincidência”. “Acho que é a história de muitos na comunidade, um pouco inevitável, é um pouco esse o tema recorrente, de que todos nós temos uma história de uma aventura ao desconhecido”, disse.
Ana Cartaxo recordou o processo de criação das ilustrações da obra. “Eu queria que a linguagem [visual do livro] aparecesse no contato com o Salem. Ele mandou fotografias, contava histórias dos personagens. Gosto muito da memória [como tema de trabalho] e fui me aproximando da aquarela, da diluição, da [relação entre] a memória e o tempo e a fotografia que vai se apagando”, disse.
A secretária de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, Angela Vidal Gandra Martins, participou do evento e destacou o fato de São Paulo ser uma cidade construída pelas mãos de imigrantes. Disse que a prefeitura está se aproximando das câmaras de comércio que atuam na cidade.

“A secretaria de Relações Internacionais quer promover um ganha-ganha para que possamos fortalecer as empresas, os comerciantes, o que podemos levar e trazer. Queremos que todos tenham trabalho e possam sustentar suas famílias, como é o caso da luta dos imigrantes e queremos trabalhar com a comunidade árabe”, afirmou.
O presidente da Câmara Árabe, William Adib Dib Junior, afirmou, em seu discurso, que a própria Câmara Árabe é parte do legado que a comunidade deixa para São Paulo e para o País. “Ao longo de sua história de mais de sete décadas, [a Câmara Árabe] tem desempenhado um papel estratégico no fortalecimento das relações econômicas entre o Brasil os países árabes, que hoje se destacam como parceiros externos fundamentais”, disse.
A data que celebra a imigração árabe é, também, a data da primeira Constituição do Brasil, promulgada em 1824, e que dá nome à famosa rua de comércio popular de São Paulo. Essa mesma rua abrigou uma grande comunidade de imigrantes árabes a partir do século XIX. Trabalhavam, inicialmente, como mascates, vendendo diversos produtos de utilidades domésticas de porta em porta. Com o tempo, abriram seus comércios e se estabeleceram na região. Anos depois, a Câmara dos Deputados indicou 25 de março como data para celebrar a imigração árabe ao Brasil.
À ANBA, William Dib afirmou que é “gratificante” poder, por mais um ano, estar no 25 de março ao lado da comunidade. “É uma data comemorativa à imigração dos árabes para o Brasil e gratificante poder contar com o lançamento de um livro que traz exatamente esta narrativa. E mostrar um país tão próspero e aberto a novas experiências como essas, mostrar a abertura que o País proporciona ao imigrante de construir sua história, crescer e prosperar”.
Em sua apresentação do livro, Nasser resumiu a admiração pelas pessoas que se dispuseram a deixar suas terras em busca de uma oportunidade no desconhecido, e definiu os caminhos pelo qual o mascate construiu sua história. Demonstrou admiração por quem se aventurou a cruzar o oceano em busca de um lar e lembrou que, no Brasil, muitas pessoas são descendentes de imigrantes e de “gente de grande coragem”.
Mapa mostra legado da comunidade árabe
Após o lançamento do livro, a vice-presidente de Comunicação e Marketing da Câmara Árabe, Silvia Antibas, apresentou o “Mapa do legado da imigração árabe em São Paulo”, uma iniciativa que mostra as instituições sem fins lucrativos criadas e mantidas pela comunidade na capital paulista.

Estão retratadas no mapa, por exemplo, o Lar Sírio Pró Infância, no Tatuapé, Zona Leste; a Mesquita Brasil, no Cambuci, região Central; o Centro de Estudos Palestinos da Universidade de São Paulo, na Cidade Universitária, Zona Oeste; a Catedral Nossa Senhora do Paraíso, na Zona Sul; e o Lar Druzo Brasileiro, em Santana, na Zona Norte. A publicação, que tem versões impressas e online (aqui), apresenta também alguns endereços na região metropolitana de São Paulo.
A ideia, disse Antibas, surgiu depois de reuniões no Museu da Imigração e com a própria secretária de Relações Internacionais da prefeitura. “Queremos mostrar neste mapa tudo o que a gente está retribuindo”, disse Antibas.
A Câmara Árabe foi representada no evento pelo vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da instituição, Mohamad Orra Mourad, pelo tesoureiro Mohamad Abdouni Neto, os conselheiros e ex-presidentes Osmar Chohfi e Rubens Hannun, e o diretor William Atui.
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