São Paulo – O Bahrein, país árabe do Golfo, deverá diminuir seu ritmo de crescimento neste ano por causa das consequências que os preços baixos do petróleo trouxeram para a economia do país. O Produto Interno Bruto (PIB) do Bahrein avançou 3% no ano passado e deve crescer 2,3% neste ano e 1,6% em 2018, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgada em relatório sobre o país nesta segunda-feira (21).
O organismo afirma que as vulnerabilidades fiscais e externas do país aumentaram na sequência do declínio dos preços do petróleo. O produto é responsável por mais de 80% das receitas do país do Oriente Médio. O avanço obtido pela economia no ano passado decorreu principalmente de um forte crescimento do setor não-petrolífero, de 3,7%, impulsionado pela implementação de projetos financiados por países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC).
A inflação média do país manteve-se moderada no ano passado, em 2,8%, o setor bancário permaneceu bem capitalizado, mas os depósitos bancários e o crescimento do crédito para o setor privado recuaram. O déficit fiscal ficou em cerca de 18% do PIB, a dívida pública alcançou 82% das riquezas do país e as reservas internacionais diminuíram, apesar da implementação de ajustes fiscais significativos por parte do governo.
O aumento dos preços do petróleo registrado no começo deste ano e a redução contínua de gastos pelo Bahrein devem ter algum reflexo na economia em 2017, como a melhora do déficit fiscal para 12% do PIB, segundo estimativa do FMI. A longo prazo o organismo espera, no entanto, que o déficit do orçamento se reduza apenas ligeiramente.
Em seu relatório, o FMI parabenizou o governo pelo ajuste fiscal, mas afirma que é preciso ações adicionais neste sentido para restaurar a sustentabilidade das contas do país, fazer a dívida declinar e reduzir a necessidade de financiamento externo. As medidas devem ser acompanhadas de campanha de comunicação para explicar à população o plano de ajuste e com isso fortalecer a conscientização pública e a confiança do mercado.
O organismo recomenda, entre as medidas para reduzir as despesas, a diminuição de subsídios à energia e da massa salarial. O FMI também sugere esforço maior para crescimento das receitas não petrolíferas, como a implementação do Imposto Sobre Valor Agregado (IVA), mas recomenda a importância de amenizar o impacto das medidas junto a grupos mais vulneráveis.
O organismo afirma que a taxa de câmbio local permanece apropriada, porém sugeriu aumentar gradualmente as taxas de juros em relação aos Estados Unidos e intensificar a emissão de títulos públicos para desencorajar saída de capital e reconstruir as reservas. O FMI enfatizou ainda a importância da interrupção de empréstimos pelo Banco Central ao governo.
O FMI projeto para o Bahrein receitas de exportações de US$ 15,3 bilhões neste ano, acima dos US$ 12,8 bilhões do ano passado. O número significa um avanço de 19,5%, mas o país já chegou a ganhar muito mais com exportação, em função dos preços do petróleo maiores. Em 2013, a receita do país com o comércio exterior foi de US$ 25,6 bilhões, valor que declinou para US$ 23,5 bilhões em 2014 e para US$ 16,5 bilhões em 2015.


