São Paulo – Brasileiros que vivem no Bahrein estão saindo do país via território da vizinha Arábia Saudita, por onde a companhia aérea nacional bareinita Gulf Air anunciou na segunda-feira (16) que operará alguns voos. A empresa de transporte aéreo não tem linha direta com o Brasil. O Bahrein é um dos países que está sendo bombardeado pelo Irã, em retaliação ao conflito com Estados Unidos e Israel, e tem o espaço aéreo fechado desde 28 de fevereiro. A Arábia Saudita, também alvo de ataques, mas com território expressivamente maior e com cidades mais distantes do Irã, mantém voos para o exterior.
Cerca de 300 brasileiros vivem no Bahrein e antes da guerra começar também brasileiros em trânsito e turismo se encontravam no país, de acordo com informações dadas à ANBA pela conselheira comissionada da Embaixada do Brasil em Manama, Karina Morais Pucci. A esses cidadãos estão sendo oferecidos vistos emergenciais de trânsito de quatro dias na Arábia Saudita para retorno ao Brasil via esse país árabe, o que também é possibilitado a brasileiros que se encontram em outros países do Golfo.

De acordo com informações de Karina, 181 brasileiros que estavam no Bahrein preencheram o formulário com a solicitação e receberam o visto emergencial de trânsito para a Arábia Saudita até a segunda-feira. “Na última semana, muitos brasileiros saíram já do Bahrein, com recursos próprios, ou com visto de trânsito emergencial, ou com visto de turista”, relata, sobre movimento observado no agravamento da guerra.
Na segunda-feira, a embaixada do Brasil em Manama transportou, por via terrestre, sete brasileiras do Bahrein para a Arábia Saudita. Segundo a conselheira, a ideia era contratar um ônibus para 50 passageiros, mas apenas oito pessoas se inscreveram – uma acabou desistindo e viajaram sete pessoas, todas mulheres. A Karina atribui o número a fatores como a saída já realizada por muitos brasileiros, a necessidade de permanecer no país por contratos de trabalho e o custo da saída de urgência do Bahrein.
“A maior parte dos brasileiros que estão aqui têm recursos limitados”, diz Karina. Segundo a conselheira, muitos ocupam postos como cabelereiras, dançarinas, jogadores de futebol de segundo escalão (alguns também de primeiro) e personal trainers. “E o custo de sair daqui, pegar o transporte do Bahrein até a Arábia Saudita, ou Riad ou Dammam, depois pegar um voo em direção ao Brasil, muitos não conseguem arcar com esse custo”, explica. Há ainda outras dificuldades, como o valor das passagens aéreas, que está bem maior, e cancelamentos de voos demandando mais tempo do que os quatro dias de visto na Arábia Saudita.
Gulf Air, via Dammam
A Gulf Air passou a oferecer, segundo o anúncio da segunda-feira aos clientes, voos comerciais temporários de e para o Bahrein via Aeroporto Internacional Rei Fahad em Dammam, na Arábia Saudita, até o dia 28 de março, para Frankfurt, Nairóbi, Londres, Mumbai e Bangkok. A companhia aérea disse que providenciará o transporte entre o Bahrein e Dammam para passageiros com bilhetes confirmados.
“A Gulf Air prestará assistência com vistos de trânsito para a Arábia Saudita aos passageiros que viajarem de e para o Bahrein utilizando o transporte terrestre organizado pela Gulf Air”, informou a empresa, complementando, no entanto, que os que viajarem tendo a Arábia Saudita como destino final devem possuir um visto de entrada válido, obtido de forma independente. “O que a Gulf Air está fazendo vai ser um grande alívio. É bem recente, mas é um grande alívio para aqueles brasileiros que podem arcar com o custo da passagem e pegar o destino como Londres, e de Londres voltar para o Brasil”, exemplifica.
Entre as sete brasileiras transportadas pela embaixada do Brasil em Manama até a Arábia Saudita, quatro estavam indo para Dammam e três pegariam voo para Riad, a capital saudita. Duas já tinham as passagens aéreas compradas e as demais estavam ainda buscando bilhetes. De acordo com a conselheira Karina, exceto uma, que conseguiu emprego na Turquia, as demais estão retornando ao Brasil. Um segundo translado para a Arábia Saudita deve ser providenciado para os brasileiros, segundo Karina.
Na segunda-feira, também o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que, passados 16 dias desde a escalada dos conflitos no Oriente Médio, a maior parte dos quase oito mil viajantes brasileiros já deixou ou está em vias de deixar a região. O Itamaraty afirma que a reabertura de voos diretos para o Brasil, após gestões do chanceler Mauro Vieira, facilita a saída dos brasileiros.
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