São Paulo – O filme “Calle Málaga” (2005) retrata as idas e vindas do próprio lar de uma moradora de Tânger, cidade no Norte do Marrocos. No papel de Maria Ángeles, a estrela do cinema espanhol Carmen Maura transmite ao espectador o desespero pela perda do lar. O lar que é a sua casa, a sua Tânger, o seu dia a dia em uma cidade árabe que, por proximidade e laços históricos com a Espanha, se comunica em árabe e em espanhol.
São o pertencimento, a família e a angústia, alguns dos temas que estão neste filme, que se sobressaem nos outros oito longas-metragens escolhidos para a 21ª Mostra Mundo Árabe de Cinema. O evento estreou na noite de quarta-feira (2), no CinesSesc, em São Paulo, com a sessão inicial de “Calle Málaga”, uma produção da diretora Marroquina Maryam Touzani.
Ao apresentar os filmes desta mostra, o curador e diretor da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Arthur Jafet, afirmou que o objetivo da curadoria foi apresentar a pluralidade do mundo árabe por meio de cineastas que observam suas próprias sociedades e trabalham questões como memória, família, território e transformação. “O resultado [da curadoria] não pretende oferecer ao público uma definição do mundo árabe. Oferece algo mais interessante, novas formas de observá-lo”, afirmou Jafet em seu discurso na abertura do evento.

A mostra é realizada em parceria pelo Instituto da Cultura Árabe (Icarabe) e pelo Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP), com patrocínio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, da Casa Árabe, copatrocínio da Nasser Advogados e apoio cultural do Instituto do Sono e da Cátedra Edward Said de Estudos da Contemporaneidade da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A mostra ficará em cartaz no CineSesc entre 2 e 9 de setembro com a exibição de nove filmes, sete deles inéditos no Brasil, além de debates e conversas entre público, realizadores e pesquisadores. No período de exibição, estarão em cartaz, além de “Calle Málaga”, os filmes “Cotton Queen” (2025), do Sudão; “Hijra” (2025), da Arábia Saudita; “Irkalla – O sonho de Gilgamesh” (2025), do Iraque; “Life after Siham” (2025), do Egito; “My father’s scent” (2025), também do Egito; “Sophia” (2025) e “Where winds come from” (2025), ambos da Tunísia; e “Souraya, Mon Amour”, de Líbano e Catar. A programação está disponível aqui.
A presidente do Icarabe, Natalia Calfat, afirmou que a mostra é um espaço para que o espectador se encontre e “olhe para dentro” de si. “A mostra é, por excelência, um espaço intercultural, de reflexão mútua, mas muito mais do que mera empatia. É olhar para o outro para se transformar e fazer essa mudança internamente”, disse.
O presidente da Câmara Árabe, William Adib Dib Junior, lembrou que a mostra é uma oportunidade para a comunidade árabe de São Paulo celebrar sua herança e sua história. “Mas a Mostra Mundo Árabe de Cinema vai além da celebração das nossas origens: ela abre uma janela para que os brasileiros possam se aproximar da realidade cultural dos países árabes, conhecer suas histórias, desafios, sonhos e a riqueza das suas expressões artísticas”, disse. Idealizadora da mostra, Soraia Ismaili lembrou dos desafios em realizar o evento em seus primeiros anos e agradeceu às pessoas e instituições que tornam a mostra possível todos os anos.
O gerente adjunto de Ação Cultural do Sesc São Paulo, Fabricio Floro, afirmou que a seleção de filmes é oportunidade para ampliar o acesso a uma cinematografia pouco presente no circuito comercial brasileiro e para contribuir com o reconhecimento da diversidade que constitui o que se chama de mundo árabe. “Ao promover este encontro se cria também oportunidades para que representações simplificadoras deem lugar a outras imagens, vozes e experiências”, afirmou Floro.
Além de Dib e Jafet, representaram a Câmara Árabe no evento a vice-presidente de Marketing, Silvia Antibas, o vice-presidente administrativo, Nahid Chicani, e o diretor-tesoureiro Mohamad Abdouni Neto.


