Seis brasileiros expõem suas obras em bienal no Egito

A 2ª edição da Off Biennale Cairo, organizada de forma independente na capital egípcia, vai até este sábado. Uma das curadoras é a brasileira Sheila Zago.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – Seis brasileiros expõem suas obras na segunda edição da Off Biennale Cairo, bienal de arte organizada pela Something Else, iniciativa independente de artes visuais sem fins lucrativos da capital egípcia, que vai até o próximo sábado (15), no Centro Cultural Darb 1718, no Cairo. A mostra tem participação de mais de 100 artistas locais e internacionais. A entrada é gratuita.

Os brasileiros participantes são Alberto Pereira, Amaro Abreu, Cesar Meneghetti, Vinícius Couto, Alexandre Furcolin e Luiza Prado. A produtora brasileira Mônica Hirano, da Something Else, ajudou a conceber o evento. Uma das curadoras da exposição é a também brasileira Sheila Zago.

O tema da bienal deste ano é “E se isso não tivesse acontecido?” (“What if it didn’t happen?”, no original), com a intenção de mostrar como seria o mundo se as coisas fossem diferentes, subvertendo os valores tradicionais da sociedade, conforme informou Sheila Zago, que fez a curadoria das obras de nove artistas internacionais, sendo dois deles os brasileiros Alberto Pereira e Amaro Abreu. Os outros artistas sob sua curadoria são dos Estados Unidos, Portugal, Índia e Paquistão, e dos países árabes Síria, Iêmen e Líbano. Outros árabes que participam da mostra, além dos egípcios, são do Iraque, Argélia, Arábia Saudita, Sudão e Jordânia.

As obras de Alberto Pereira, por exemplo, são lambes (foto acima) feitos especialmente para a bienal. “Ele quis retratar pessoas que são consideradas invisíveis; ele tirou fotos de dois operários que trabalham na exposição, nos bastidores, e os colocou em um lugar de destaque, subvertendo os papeis”, contou Zago.

Amaro Abreu é grafiteiro e fez um mural com um conceito mais lúdico. “Ele retrata outros mundos, o imaginário, e seu trabalho muitas vezes traz questionamentos de tecnologia versus natureza, contestando se a humanidade está de fato evoluindo”, revelou Zago.

A curadora contou que as obras dos dois brasileiros são permanentes e ficarão no local após o término da bienal. “Este espaço era uma antiga vila de cerâmica, que foi revitalizada pelo projeto, as pessoas voltaram a frequentar esse espaço, e as obras ficam, porque um dos objetivos da bienal é tornar a arte mais democrática”, informou.

Zago contou que o Cairo já teve uma bienal de arte oficial, subsidiada pelo governo, e que desde que ela deixou de acontecer houve uma comoção da cena artística independente para organizar a “bienal não oficial” – daí o nome “Off Biennale”. O projeto de Zago, The Nomad Curator, organizou um financiamento coletivo para possibilitar a ida dos dois brasileiros e, ao chegar no Cairo, receberam apoio da embaixada do Brasil na capital egípcia.

Sobre

Sheila Zago é mestre em Práticas de Museus e Galerias pela University College London, no Reino Unido, e falou à ANBA por telefone, do Cairo. Ela mora no Egito desde fevereiro, mas se diz uma nômade, viajando com projetos sociais que envolvem arte há cinco anos. Já morou no Líbano e no Catar. Atualmente também tem um projeto que envolve arte e educação nas periferias do Cairo, trabalhando com pessoas em situação de vulnerabilidade, e já trabalhou em comunidades carentes do Egito, Líbano e Síria, inclusive com refugiados sírios e palestinos, com o projeto Conexus.

Serviço

Off Biennale Cairo
Até 15 de dezembro (sábado)
Centro Cultural Darb 1718
Kasr El Sham3 Street, Al Fakhareen, Cairo Antigo
Cairo, Egito
Entrada gratuita
Mais informações

Alexandre Furcolin

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