Sharjah mostra sua moda em São Paulo

Estilistas e designers de joias do emirado apresentaram suas criações em desfile nesta terça-feira no Palácio Tangará. Ação fez parte de evento de apresentação de organismo que trabalha pelo desenvolvimento feminino em Sharjah, o Nama. Brasileiras foram convidadas a integrar conselho.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – Quatro marcas de moda e joalheria de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, apresentaram as suas criações em evento realizado nesta terça-feira (07), no Palácio Tangará, na capital paulista. O Nama, Estabelecimento para o Avanço das Mulheres, do emirado, promoveu o encontro, que reuniu empreendedoras e empreendedores brasileiros com representantes da instituição e de outras organizações que trabalham sob o seu guarda-chuva.

Criação de Wafa Balaswad: vestido com bordado

Um grupo de modelos desfilou as peças de roupas femininas criadas pelas estilistas Wafa Balaswad, cuja marca leva seu nome, e Khulood Thani, dona da grife Bintthani, e usaram joias feitas pelas designers Shurooq Al Midfa e Amal Haliq, todas de Sharjah. As modelos calçavam sapatos assinados pela brasileira Paula Torres e o desfile teve como elementos peças do mobiliário desenvolvido pela marca brasileira Irmãos Campana.

A presença de grifes do Brasil no evento teve o intuito de mostrar como a parceria entre brasileiros e árabes pode dar certo. O Nama apresentou seu trabalho no encontro, dando uma ideia das possibilidades do empreendedorismo feminino em Sharjah, e convidou as brasileiras a fazerem parte do Conselho de Empresárias de Sharjah (SBWC).

Moda de Khulood Thani: aposta no vermelho

As estilistas Wafa e Khulood estavam presentes no desfile e contaram à ANBA um pouco de sua história. Khulood criou sua marca há oito anos e trabalha inspirada em arte, com a proposta de destacar a modernidade dos Emirados em estilos contemporâneos requintados. Ela vende para os Emirados e Arábia Saudita. A empresária, porém, busca expansão e gostaria de exportar ao Brasil. Por isso apresentou as peças em São Paulo.

O trabalho de Wafa como estilista tem sete anos. Sua proposta é transitar entre o tradicional e moderno, com uso, por exemplo, de bordados e pérolas em tecidos diversos e de alta qualidade. Ela vende para alguns países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). As duas estilistas afirmam que recebem muito apoio do SBWC para desenvolver seus trabalhos. “O governo encoraja as mulheres a abrirem seus negócios”, disse Khulood. O GCC é formado por Arábia Saudita, Emirados, Bahrein, Catar, Kuwait e Omã.

Khulood e Wafa são estilistas e empreendedoras nos Emirados Árabes

As peças apresentadas pelas duas eram bastante fluídas, com cortes largos e elegantes, com uso tanto de tons discretos e neutros como de cores fortes. Entre as roupas mostradas pela marca Bintthani estava um vestido longo vermelho, lembrando as peças femininas árabes, com parte dos ombros e a gola em listrado vermelho e branco. Um vestido até os tornozelos, com estilo bata, trouxe um azul claro com bordado azul escuro na parte das costas.

Wafa Balaswad encantou com suas combinações, como uma blusa branca de mangas bem largas e ombros à mostra vestida pela modelo com uma calça verde também larga com bordados dourados nas laterais. Outra peça mostrada foi um vestido claro de tecido fluído, com a sobreposição levando bordados em pérolas.

O evento se debruçou principalmente em explicar a atuação do Nama. A iniciativa tem a liderança da mulher do governante de Sharjah, Jawaher Bint Mohammed Al Qasimi, e trabalha pela criação de oportunidades para as mulheres. O Nama fomenta também a colaboração internacional na área. “A colaboração é essencial para o sucesso e o apoio mútuo é o começo de um horizonte mais amplo”, disse a diretora do Nama, Reem Abdelrahim BinKaram, em uma conversa com o público conduzida pela brasileira Bel Pesce.

Além do SBWC, o Nama mantém o Conselho de Artesanato Contemporâneo (Irthi) e a Academia de Educação e Desenvolvimento (Badiri). No encontro, foi apresentado ainda o trabalho da The Big Heart Foundation, que foi criada para congregar todas as atividades de Jawaher, muitas delas voltadas para refugiados e para defender os direitos das meninas. De acordo com informações da diretora da The Big Heart Foundation, Mariam Mohamed Al Hammadi, a atuação abrange 19 países e engloba 40 projetos.

Evento teve apresentação do trabalho do Nama

A presidente interina do SBWC, Hind Al Qasimi, convidou as mulheres brasileiras a fazerem parte do conselho. O SBWC ajuda as empreendedoras a desenvolverem seus negócios, auxiliando na formação de rede de contatos, na busca de mercado, dando capacitação, entre outras atividades. O conselho tem 1.500 associadas de cerca de 20 diferentes setores, desde eventos até artes, e é possível começar a fazer parte por meio da inscrição em um aplicativo. Hind conta que são promovidas de 10 a 15 oficinas por ano.

Hind se mostrou aberta a auxiliar empreendedoras brasileiras interessadas em instalar seus negócios em Sharjah e disse que é possível ajudar as que gostariam de entrar no mercado do emirado com seus produtos indicando, por exemplo, feiras na área. A presidente interina do SBWC esteve na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na semana passada, e o presidente da entidade, Rubens Hannun, e o diretor-geral, Michel Alaby, propuseram a criação de um conselho de empresárias para facilitar os negócios entre empreendedoras brasileiras e dos Emirados Árabes.

Entre as mulheres presentes no evento do Nama estava a diretora comercial da empresa H2R, Alessandra Frisso.  Ela elogiou a aproximação da Nama com o Brasil e disse que chama a atenção como as integrantes estão organizadas em um trabalho em prol das mulheres, com muita abertura, dispostas a inovar e a fazer parcerias com as brasileiras.

Grupo de brasileiras com Hind Al Qasimi (centro)

A diretora cultural da Câmara Árabe, Silvia Antibas, também participou do evento. “É uma oportunidade de mostrar como as mulheres estão se organizando no Oriente Médio e é importante estarmos junto com elas neste momento”, disse Silvia à ANBA sobre o encontro. Julia de Biase, dona das lojas de perfumes árabes Al Zahra e importadora de tâmaras dos Emirados, afirmou que conhecer os hábitos e cultura dos países ajuda no resultado dos negócios.

O cônsul-geral dos Emirados em São Paulo, Ibrahim Salem Alalawi, abriu o encontro. “Cada nação tem sua experiência no desenvolvimento”, disse o cônsul, enfocando a importância da colaboração entre os diferentes países, como o evento propunha. “Experiências isoladas não podem ter sucesso”, disse ele.

Também participaram do evento, pela Câmara Árabe, a executiva de negócios internacionais, Fernanda Baltazar, a coordenadora de marketing, Juliana Burza, e secretária executiva Nuhad Aparecida Skaf. Além do bate-papo com as representantes do Nama, SBWC e The Big Heart Foundation, com espaço para perguntas e respostas, foi oferecido brunch aos convidados, a maioria mulheres.

Como convidado de honra da 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o emirado de Sharjah enviou ao Brasil uma grande delegação multissetorial que extrapola a área editorial.

Isaura Daniel/ANBA
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