São Paulo – Quando foi criada, em maio de 2009, a Cooperativa dos Agricultores Familiares do Baixo Sul (Coopafbasul) já tinha o coco de piaçava como seu principal produto. Tanto que, em 2010, a cooperativa criou um programa específico para essa atividade, envolvendo a construção de seis unidades de beneficiamento e a produção de vassouras. Ao longo do tempo, mais produtos entraram no rol da cooperativa baiana, baseada na cidade de Ituberá (na Costa do Dendê), e a piaçava começou a ser usada para outros fins que não só as vassouras.

Em 2023, a cooperativa exportou 800 toneladas do coco para o Egito. A finalidade: produzir a masbaha (ou misbaha), tradicional terço muçulmano que tem, normalmente, 33 contas para ajudar na contagem das orações. A expectativa da cooperativa é exportar, neste ano, um volume de cerca de 500 toneladas. Além do Egito, as exportações vão também para China e Indonésia. Além disso, a cooperativa realiza a exportação da fibra de piaçava para São Vicente e Granadinas, que é um país do Caribe.
“O acesso ao mercado egípcio ocorreu a partir do contato inicial de um importador, que procurou diretamente a cooperativa e deu início às negociações. A partir dessa primeira parceria, foram abertas novas oportunidades, permitindo à cooperativa ampliar sua atuação internacional e prospectar outros clientes no mercado externo”, conta Gileno Araújo dos Santos, diretor-executivo da Coopafbasul.
Segundo Gileno, o processo de exportação para países árabes, como o Egito, pode ser considerado moderadamente burocrático, especialmente no início. “No entanto, com organização e padronização, torna-se um processo viável e contínuo. A cooperativa, inclusive, pode (e é recomendável) trabalhar com mais de um comprador, reduzindo riscos comerciais e aumentando o poder de negociação”, explica. O embarque da matéria-prima é feito pelo Porto de Salvador.
Agricultura familiar
A cooperativa começou com 20 famílias de assentados da reforma agrária, quilombolas e pequenos agricultores do Baixo Sul da Bahia. Hoje, a Coopafbasul conta com 3.800 cooperados. Além da piaçava, cuja produção média anual é de mil toneladas, as famílias se dedicam à produção de cacau, cravo, pupunha, urucum e fruticultura.
A cooperativa está sempre buscando novos mercados e alternativas que agreguem valor à produção.
Gileno Araújo dos Santos
Em 2024, foi estabelecida uma parceria com a Binatural, empresa de biodiesel que tem uma de suas unidades em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. A parceria segue ativa com o fornecimento de aproximadamente 200 toneladas de coco de piaçava por ano para utilização como fonte de energia em substituição à lenha. Com elevado poder calorífico, é uma alternativa mais sustentável e economicamente interessante em comparação à lenha tradicional.
“Essa parceria é importante para a cooperativa pois possibilitou não apenas a comercialização regular da produção, mas também a inserção em iniciativas ligadas à sustentabilidade, como o projeto de selo de biocombustível social. Isso fortalece a geração de renda para os agricultores e amplia o reconhecimento da piaçava como um recurso energético viável”, explica o diretor-executivo. “Afinal, a cooperativa está sempre buscando novos mercados e alternativas que agreguem valor à produção, com foco no fortalecimento da agricultura familiar”.
Presente no Baixo Sul, Extremo Sul e na Costa do Dendê, a cooperativa expandiu sua operação para além do território baiano, com presença ainda no Espírito Santo, Minas Gerais e em São Paulo. Para garantir a produção e a colheita em todas as frentes, a Coopafbasul trabalha com linhas de microcrédito rural, com destaque para o Agroamigo, do Banco do Nordeste, voltado ao fortalecimento da agricultura familiar e ao apoio aos pequenos produtores.
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Reportagem de Débora Rubin, em colaboração com a ANBA


