Abu Dhabi — Descobertas arqueológicas e estudos científicos anunciados nos Emirados Árabes Unidos em 2026 revelaram novos aspectos da história da ocupação humana, dos padrões de povoamento e da atividade econômica no território, ampliando o conhecimento sobre a região desde a pré-história até a Idade do Bronze.
Os achados são resultado de trabalhos contínuos de levantamento, escavação e pesquisa, que ajudam a compreender como antigas comunidades se adaptaram a mudanças ambientais e mantiveram conexões com outras áreas da região.
Em Sharjah, um projeto internacional de pesquisa encontrou novas evidências de sucessivas ocupações humanas no abrigo rochoso de Jebel Al Buhais, em períodos muito distantes entre si, contrariando hipóteses anteriores sobre o povoamento da região. Publicado em março de 2026 na revista Nature Communications, o estudo documentou a presença humana entre 60 mil e 16 mil anos atrás e trouxe informações importantes sobre a adaptação a fortes oscilações climáticas e períodos de seca.
Em julho, o Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi anunciou a descoberta de uma grande tumba no Cemitério Arqueológico de Qattara, em Al Ain, datada dos períodos de Wadi Suq e do fim da Idade do Bronze, entre cerca de 2000 e 1300 a.C.
Em excelente estado de conservação, a tumba foi construída com blocos de pedra esculpidos reaproveitados de estruturas funerárias mais antigas do período Umm al-Nar, datadas de cerca de 2700 a 2000 a.C. A sepultura coletiva, de 11 metros por 2,5 metros, recebeu sepultamentos de centenas de indivíduos ao longo de pelo menos um milênio. Nas escavações, foram encontrados objetos de cerâmica, armas e adornos pessoais. Os restos humanos e artefatos passam por análises isotópicas e de DNA para identificar antigas redes comerciais, hábitos alimentares, condições de saúde e rotas migratórias.
A descoberta em Qattara amplia o conhecimento sobre os sítios culturais de Al Ain, inscritos na lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 2011.
O reconhecimento internacional do patrimônio dos Emirados Árabes Unidos também avançou em 2026, quando o Ministério da Cultura anunciou a inclusão de cinco novos sítios do país na Lista do Patrimônio da Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura (Icesco).
A lista inclui Saruq Al Hadid, em Dubai, e quatro sítios em Sharjah: Jebel Faya, na Região Central; as torres e os fortes históricos de Khorfakkan, entre eles o Forte Português e a Torre Al Adwani; Nahwa; e Wadi Al Helo.
Wadi Al Helo reúne gravuras rupestres da Idade do Bronze e vestígios de antigas aldeias, enquanto Nahwa conserva arte rupestre que se estende da Idade do Bronze à era moderna e foi documentada com tecnologia digital em 3D.
Para ampliar as pesquisas, Jebel Faya entrou em uma nova etapa de estudos científicos, apoiada por um financiamento de US$ 544,6 mil (2 milhões de dirhams) para o período de 2026 a 2028.
As descobertas e iniciativas anunciadas em 2026 refletem uma estratégia que reúne escavação, restauração, documentação digital e reconhecimento internacional, com o objetivo de preservar o patrimônio histórico dos Emirados Árabes Unidos e ampliar sua divulgação no exterior.
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