São Paulo – O bom desempenho do setor turístico, um pequeno crescimento na produção de petróleo e a recuperação do mercado imobiliário fizeram a economia dos Emirados Árabes Unidos crescer 5% em 2013, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgadas na quinta-feira (12) em um documento sobre a situação econômica do país. Segundo o levantamento, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Emirados Árabes Unidos deverá crescer 4,75% em 2014 e 4,5% nos próximos anos.
No documento, os técnicos do Fundo, que se reuniram com autoridades locais entre os dias 23 de abril e 8 de maio, observam que a economia dos Emirados está se recuperando de forma “sólida” da crise de 2008.
“Enquanto o crescimento na produção de petróleo foi moderado em 2013, projetos públicos em execução em Abu Dhabi e um dinâmico crescimento do setor de serviços em Dubai continuaram a sustentar o avanço. Com fortalecimento do ciclo econômico, também apoiado pela percepção de que os Emirados são um lugar seguro em meio à instabilidade regional, estima-se que o crescimento tenha alcançado 5% em 2013”, afirma o comunicado do Fundo.
Mesmo com este bom desempenho, o documento observa que o superávit em conta corrente caiu para 16% do PIB, após ter alcançado 18,5% do PIB em 2012, devido ao aumento das importações. O superávit fiscal também caiu: de 8,9% do PIB em 2012 para 6,5% do PIB em 2013 em consequência do aumento de gastos correntes, gastos com segurança e com Defesa feitos por Abu Dhabi. Em Dubai, afirma o FMI, o déficit caiu de forma mais rápida do que o esperado. O emirado também viu seu mercado imobiliário, que provocou uma crise local em 2008, voltar a crescer.
“O setor imobiliário está se recuperando em um ritmo mais rápido em alguns setores, especialmente no setor residencial de Dubai, onde os preços subiram em média 30% ano a ano em março de 2014”, afirma o documento, referindo-se ao período de março de 2013 ao mesmo mês deste ano. Em razão da aceleração no preço dos imóveis e dos aluguéis, a inflação também cresceu mais. Entre março do ano passado e março deste ano, a alta nos preços foi de 1,9%. No mesmo período entre 2012 e 2013 havia sido de 1%.
Ainda segundo as previsões do FMI, a “perspectiva macroeconômica” é positiva. “O crescimento provavelmente será conduzido pelo setor não derivado de petróleo, que deverá se expandir em 5,5% neste ano, apoiado pelo ambiente econômico global e fortalecimento da confiança doméstica associada à recuperação do mercado imobiliário”, afirma o Fundo.
Como exemplo da recuperação do setor de imóveis, o FMI cita alguns “megaprojetos”, como a realização da feira mundial Expo 2020 em Dubai, que irá atrair investimentos em infraestrutura e hotelaria. Já o setor petrolífero deverá apresentar crescimento moderado porque o mercado global já está “amplamente abastecido”. Como consequência da recuperação imobiliária, a inflação também deverá subir nos próximos anos.
Países emergentes
Na quinta-feira (12), o FMI divulgou um documento sobre a economia dos países emergentes, em que avalia os motivos que levaram aos baixos desempenhos dos últimos anos e os desafios que essas nações terão no futuro. No estudo “Mercados emergentes em transição: perspectivas de crescimento e desafios”, o Fundo afirma que nações como o Brasil, países emergentes da Ásia, da África, da Europa e do Oriente Médio não podem mais depender apenas da expansão no consumo doméstico para crescer e precisam adotar reformas estruturais que garantam a evolução da sua economia no longo prazo. O estudo alerta que condições que levaram à sua rápida expansão no começo da década, como um comércio global dinâmico, não deverão mais se repetir.


