Feira Chega Junto une cozinheiros refugiados no Rio

Evento reúne migrantes e refugiadas que produzem pratos e receitas tradicionais de países como Síria, Palestina, Nigéria, Congo, Venezuela e Colômbia.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – O projeto Chega Junto une cozinheiros refugiados e imigrantes de diversas partes do mundo em feiras na cidade do Rio de Janeiro. A próxima mostra ocorre neste sábado (24), no bairro de Botafogo, na zona sul da capital fluminense. Os eventos reúnem pessoas que produzem pratos e receitas tradicionais de países como Síria, Palestina, Nigéria, Congo, Venezuela e Colômbia.

O projeto teve início em 2015, com foco em incluir pessoas em situação de refúgio, e reuniu forças da Cáritas Brasileira, instituição que trabalha com refúgio, e da Junta Local, rede que conecta produtores com consumidores. “A ideia chegou unindo as duas instituições. É um projeto independente para os refugiados que trabalham ou que tenham interesse em trabalhar com a culinária autêntica e tradicional de seus países”, contou Luciara Mota, coordenador geral do projeto, à ANBA.

A partir de 2017, o Chega Junto passou a se declarar uma feira de comida de rua autêntica de todo o mundo, e agregar outros tipos de migrantes, além dos refugiados. “Tentamos ter uma gestão mais horizontal, onde várias pessoas contribuem. Desde o início, temos a preocupação de inseri-los como parte dessa organização. Chega Junto é um coletivo de refugiados e imigrantes, apoiado por voluntários e entidades parceiras”, explicou Mota.

Inclusão e empreendedorismo são focos do projeto

O projeto tem em seus pilares a geração de renda e a criação de vínculo. “A feira existe para que eles possam criar essas redes de associações, ser convidados para outros projetos e feiras, outros trabalhos. E é o que acontece. É um projeto exitoso desde 2015, vimos esse grande potencial que ele tinha de dar certo por atender essas duas necessidades urgentes”, pontuou a coordenadora.

Além de dar apoio para que a população em situação de refugio trabalhe, o projeto incentiva outro ponto: o aprendizado da língua local. “Eles têm o curso de português, mas a língua só é desenvolvida quando tem o contato real com as pessoas. A feira também é para que eles possam dialogar, conversar, conhecer pessoas. Além disso, através da comida, estão mostrando sua origem. Às vezes se reconectam com sua cultura através da gastronomia”, afirmou Mota, que vê um acolhimento muito sincero e real por parte do público. O papel da comida no resgate da identidade dos refugiados foi até objeto de uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), conforme a ANBA revelou em reportagem de outubro.

O coletivo trabalha em parceria com outras instituições para manter um trabalho constante de capacitação e treinamento. A busca que caminha paralela ao projeto é para que os refugiados e imigrantes sejam empreendedores. “Cada barraca é um espaço de criação de negócio”, destacou Mota. No sentido do empreendedorismo, as feiras – que acontecem mensalmente -, a partir se dezembro, vão ter uma pequena pausa enquanto o coletivo prepara um próximo programa. Eles estão desenvolvendo um projeto para 2019 que é uma plataforma de vendas on-line. O serviço de entregas vai entrar no radar com foco total após a edição de novembro da feira.

Serviço

Feira Chega Junto
24 de novembro
Christ Church Rio – Rua Real Grandeza, 99, 22281-033 Botafogo, Rio De Janeiro, Brasil
Entrada gratuita
Mais informações no Facebook da Chega Junto e no site da Junta Local

Reprodução/Facebook
Daniel Scofield/ Chega Junto

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