São Paulo – A economia do Kuwait deverá crescer 1,3% em 2014, o superávit em conta corrente equivale a 38% do Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação deverá registrar leve crescimento e encerrar 2014 em 3%. Mesmo com a situação econômica estável, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta segunda-feira (29) um documento em que recomenda que o Kuwait faça esforços para diversificar sua economia, para depender menos dos recursos do petróleo, e que contenha os gastos públicos. O documento é resultado de encontros entre autoridades locais e técnicos do Fundo que visitaram o país em setembro.
De acordo com comunicado divulgado pelo Fundo, a economia do Kuwait está crescendo e em situação estável devido aos altos preços do petróleo, produto que é a principal fonte de renda do país. Segundo o FMI, os preços da commodity estão elevados no mercado internacional, mas o Kuwait não pode depender apenas deste faturamento porque se o preço do petróleo cair abaixo do que se chama de “preço de equilíbrio” o país pode ter seu desempenho econômico prejudicado.
Segundo o Fundo, preço de equilíbrio é o valor necessário do barril de petróleo para equilibrar orçamento e gastos. O preço de equilíbrio previsto para o período 2014/2015 é de US$ 75 por barril, mas esse valor tem crescido nos últimos anos, segundo o FMI.
“Embora a situação fiscal seja consistente, a rigidez dos gastos e a dependência das receitas do petróleo têm ampliado os riscos fiscais. Restringir o aumento das despesas correntes ao conter a massa salarial e reformar os subsídios são importantes para garantir a sustentabilidade fiscal”, afirma o documento.
O levantamento reconhece, porém, que o país já começou a implantar reformas para reduzir os gastos. Uma das medidas foi acabar com o subsídio para a compra de diesel. Também deverão ser suspensos em breve os incentivos para a compra de querosene e para o consumo de eletricidade.
Outra recomendação do Fundo que começa a ser implantada pelas autoridades locais é a diversificação da economia para depender menos do petróleo. Neste caso, contudo, o FMI afirma que além de direcionar os investimentos para outros setores, o Kuwait precisa alterar a forma como concede incentivos aos setores público e privado, trabalhadores e cidadãos nativos.
O documento afirma que o país precisa reduzir as barreiras para que outros setores se desenvolvam e elogiou o apoio e os recursos que estão sendo destinados às companhias de menor porte.
“O desenvolvimento de pequenas e médias empresas, com o aporte de US$ 7,14 bilhões para o Fundo Nacional para as pequenas e médias empresas, é importante como fonte de criação de empregos para cidadãos locais, diversificação econômica – incluindo a promoção das exportações de bens não petrolíferos – e crescimento sustentável”, afirma o documento.
Jordânia
Também nesta segunda-feira, o FMI divulgou um documento com dados sobre a economia da Jordânia. Entre os dias 09 e 21 de setembro, uma delegação do Fundo esteve em Amã para cumprir a quinta e a sexta etapas de avaliação da economia do país. Análises regulares da economia estão previstas por um contrato de empréstimo celebrado entre Jordânia e o FMI.
No documento, o fundo afirma que a economia da Jordânia tem mostrado uma grande capacidade de se adaptar e resistir em um ambiente regional muito difícil, principalmente em razão das interrupções no fornecimento de gás do Egito, da guerra civil na Síria e do fluxo de refugiados resultante dela, e dos conflitos no Iraque e na Faixa de Gaza. Neste ano, o crescimento do PIB deverá ser de 3,3%, impulsionado por setores como agricultura e mineração.


