OCDE revê para baixo projeções de crescimento do Brasil

Organização prevê que o PIB do País vai avançar 2,1% em 2019. Em maio, estimativa era de 2,8%, e há um ano, de 2,5%. Perspectiva para a economia global também foi reduzida.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018 e 2019, segundo o relatório Perspectiva Econômica, divulgado nesta quarta-feira (21). Em relação ao levantamento de maio, a projeção para este ano caiu de 2% para 1,2%, e do próximo, de 2,8% para 2,1%. Em comparação com relatório de setembro de 2017, a estimativa para 2018 foi mantida em 1,2%, e para 2019 recuou de 2,5% para 2,1%.

Mesmo com a revisão para baixo, a organização diz que o ritmo de crescimento da economia do Brasil tende a aumentar em 2019 e 2020. A perspectiva para 2020 é de um avanço de 2,4%. A avaliação tem como base expectativas de melhoria no mercado de trabalho e aumento do consumo das famílias.

A OCDE alerta, porém, que as incertezas em relação a reformas estruturais seguem significativas e que isso pode atrapalhar a retomada. Sem uma forte redução dos gastos públicos, a sustentabilidade fiscal permanecerá em risco, especialmente em razão das despesas com a Previdência, diz a entidade.

“Construir um consenso político em torno de uma reforma da Previdência será um desafio importante para a nova administração [que toma posse em 1º de janeiro de 2019]”, diz o relatório. “Para manter um crescimento significativo, serão necessários mais esforços para fortalecer a produtividade, incluindo uma maior integração com a economia global”, acrescenta.

A OCDE recomenda o controle de gastos, especialmente na Previdência, e o direcionamento de recursos para programas sociais. O relatório destaca que aumentar o limite de participação no programa de transferência de renda Bolsa Família – “que custa apenas 0,5% do PIB” -, além de garantir renda mínima aos mais necessitados, reduziria a desigualdade nas áreas de educação e saúde. Para receber o benefício, famílias carentes precisam manter os filhos na escola e levá-los a unidades públicas de saúde para vaciná-los e fazer acompanhamento nutricional e de desenvolvimento.

A organização recomenda também a redução de incentivos fiscais e subsídios para empresas e setores da economia, além de uma maior integração à economia mundial e a redução de barreiras protecionistas. “Maior integração à economia global aumentaria a eficiência ao expor mais empresas à concorrência externa e ampliar o acesso a custos menores de intermediação e de bens de capital”, ressalta o relatório.

Entre os riscos para o crescimento do Brasil estão “o ambiente político fragmentado”, que torna difícil o consenso sobre as reformas, a deterioração da situação econômica na vizinha Argentina – terceira maior parceira comercial do País – e o aprofundamento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China – os dois maiores parceiros comerciais do Brasil.

Mundial

De forma geral, a OCDE diz que o crescimento da economia mundial segue forte, mas passou recentemente de seu ponto mais alto e agora enfrenta riscos como a guerra comercial e arrocho fiscal em diferentes países. A organização avalia que o PIB global vai avançar 3,5% em 2019. A expectativa anterior, divulgada em maio, era de um crescimento de 3,9%.

“Conflitos comerciais e incertezas políticas estão se somando às dificuldades que os governos enfrentam para garantir que o crescimento econômico permaneça forte, sustentável e inclusivo”, disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría (foto acima), segundo nota da organização.

Entre os fatores para a redução da projeção para o PIB global estão as perspectivas piores para países emergentes como Turquia, Argentina e Brasil.

Eric Piermont/AFP

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