Sesc_Videobrasil traz arte de oito árabes a São Paulo

Artistas participam da Bienal de Arte Contemporânea. Entre eles estão iraquianos, sírios, libaneses e, pela primeira vez, uma saudita e um tunisiano.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – A Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil recebe obras de oito artistas árabes. O evento começou em 09 de outubro e vai até 02 de fevereiro de 2020 no Sesc 24 de Maio, em São Paulo. Serão expostas mais de 60 obras e duas coleções de 55 artistas de 28 países. Na imagem acima, trecho do filme do libanês Omar Mismar, exibido na mostra.

O tema desta 21ª edição é Comunidades Imaginadas, e aborda o nacionalismo crescente no mundo. “Uma vez que o foco é [trazer produções] do Sul global, países que ou foram colonizados ou tiveram processo de modernização tardia, percebemos que seria a oportunidade de convidar os artistas a se pronunciarem sobre esse renascimento do nacionalismo. No segundo nível, Comunidades Imaginadas se dirige a indígenas e grupos que não têm representação política, ou têm de maneira mais frágil”, explicou um dos curadores da mostra, Gabriel Bogossian, à ANBA.

A escolha dos árabes colabora para a pluralidade das narrativas da exposição, que historicamente trabalha com a produção libanesa e, pela primeira vez, traz uma artista da Arábia Saudita e um da Tunísia. “Esses olhares ampliam enormemente nosso panorama. Acho que aos árabes interessa muito esse tema do nacionalismo. Poderíamos descrever certos conflitos como fundamentados em nacionalismo exacerbado. Os artistas do mundo árabe são uma das pontas de lança deste evento”, declarou.

Omar Mismar é artista visual e terá um de seus vídeos exibido na bienal brasileira

Entre as obras, Bogossian destaca a de Omar Mismar (foto ao lado), do Líbano. “O filme dele foi realizado nos Estados Unidos, em uma loja de armas. Aborda questões do nosso cotidiano no Brasil, com um governo que visa facilitar o porte de armas. A obra debate a política de armas de um jeito muito inteligente. Produz reflexão articulando temas do nosso presente”, apontou o curador sobre o vídeo do artista natural de Beirute.

O tunisiano na mostra é Nidhal Chamekh, e terá duas obras expostas. A primeira é o vídeo Never Give Up (“Nunca Desista”, em tradução livre), que retrata a resistência de um grupo de refugiados forçado a abandonar um acampamento, na França, em 2016. Como um ato de resistência, eles incendeiam suas moradias antes que as máquinas o façam. A outra obra é batizada De Quoi Rêvent Les Martys II (“Com o que sonham os mártires II”, em tradução livre) e utiliza tinta, grafite e transfer sobre papel.

Já Dana Awartani nasceu e vive em Jeddah, na Arábia Saudita. Ela utiliza elementos tradicionais da arte islâmica e os mistura aos da arte visual contemporânea. No Brasil, ela vai apresentar a obra I Went Away And Forgot You. A While Ago I Remembered. I Remembered I’d Forgotten You. I Was Dreaming (“Eu fui embora e me esqueci de você. Há pouco tempo eu me lembrei. Lembrei que havia esquecido você. Eu estava sonhando”, em tradução livre), que une instalação e vídeo.

Os outros artistas são Hiwa K, do Iraque, com um vídeo; Sadik Alfraji, também do Iraque, com uma animação gráfica. Entre os sírios está Hrair Sarkissian, que produziu uma série de 14 fotografias, e Maya Shurbaji, com um vídeo. Já do Líbano, Ahmad Ghossein tem um vídeo exibido. Os árabes vieram ao Brasil para a abertura da exposição e ficam aqui até este domingo (13).

Brasileiro na Jordânia

Entre os brasileiros no evento, Jonathas de Andrade, de Maceió, Alagoas, expõe um trabalho desenvolvido durante sua estadia em Amã, capital da Jordânia. A instalação é batizada de Procurando Jesus. Para produzi-la, o artista caminhou por Amã e fotografou rostos de homens comuns, que poderiam ser Jesus, em contraposição com a ideia europeia de representação de um Jesus loiro e de olhos azuis. O visitante ganha uma tâmara, e pode votar em qual rosto mais se parece com a principal figura do cristianismo. Há, ao final, comentários de pessoas de Amã sobre qual imagem é mais representativa para eles.

A Bienal vai oferecer sete prêmios aos artistas participantes. Entre eles, três são de residência artística, com duração de oito semanas cada. Uma das residências conta com a parceria da Sharjah Art Foundation Residency Programme e ocorrerá em Sharjah, Emirados Árabes Unidos. Os prêmios serão anunciados em cerimônia no dia 12 de outubro.

Serviço

21ª Bienal De Arte Contemporânea Sesc _Videobrasil / Comunidades Imaginadas
De 09 de outubro de 2019 a 02 de fevereiro de 2020
De terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo, 300m do metrô República
Mais informações: (11) 3350-6300 / www.bienalsescvideobrasil.org.br

Divulgação
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