São Paulo – A 5ª edição do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, que ocorreu nesta terça-feira (25), no Hotel Renaissance, em São Paulo, contou com a participação de diplomatas, líderes de associações, empresários e executivos palestrando sobre a transformação da Economia Global e a nova agenda Brasil-Países Árabes neste cenário.
No primeiro flash panel do fórum, que teve a participação dos visitantes de forma presencial e virtual, Rumaitha Al Busaidi, head de Desenvolvimento de Negócios e Valor Agregado Local de Omã na Hydrom, falou sobre a oportunidade energética e a ação industrial do Brasil com Miguel Andrade Filho, executivo de Novos Negócios do Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Cimatec) e Juliano Martins, especialista em Investimentos e Inteligência de Mercado.
Andrade Filho comentou sobre o cenário da energia eólica na Bahia, estado onde atua. “Estamos vivendo um estágio excepcional, com a integração da energia eólica com a energia solar em parques híbridos, onde você tem uma regularidade maior na produção de energia eólica no nordeste”, disse.
Martins comentou sobre a capacidade de produção de energia eólica brasileira: “Temos uma capacidade de armazenamento, um ecossistema muito conectado e uma estrutura regulatória forte, e estamos vendo muitas possibilidades para captar novos clientes que precisam de energia verde. Com relação aos países árabes, queremos entender como podemos cooperar”, afirmou.
Da compra ao fornecimento confiável de alimentos
Cinco dos seis importadores árabes, que estiveram presentes na rodada de negócios organizada pelo Projeto Halal do Brasil, participaram do segundo flash panel do Fórum.
Para iniciar a conversa, o mediador, Estevão Carvalho, gerente Executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), fez a seguinte pergunta aos participantes: O que as empresas brasileiras podem fazer para atrair mais compradores árabes?
Rasmi Khader Moh’d Almallah, gerente-geral da SKM Tejaree, afirmou: “Posso dizer que o comportamento do brasileiro é igual ao consumidor da Jordânia. E hoje, para melhorar essa comercialização, acredito que os produtores do Brasil precisam investir na tradução das embalagens dos seus produtos para o árabe. Se eles fizerem isso, posso dizer que a entrada dos produtos será facilitada”, afirmou.
Hamza Badri, diretor comercial e de Supply Chain do Atacadão (LabelVie Group), observou similaridades no padrão de consumo entre Brasil e Marrocos: “Somos o único país que importou o serviço de atacadão brasileiro, e acredito que para melhorar ainda mais as vendas por lá as empresas precisam começar a adaptar o tamanho dos produtos para os mercados locais árabes de acordo com a necessidade deles”, disse.
Ahmed Nabil Mostafa Shorky, fundador e Diretor-Geral da Khayrat Al Reef Foodstuff Trading LLC – Dubai, Emirados Árabes Unidos, Damon Afkari Modaresi, diretor-geral da REZ FOOD Dubai e fundador da PERSAÑOL Export Consultant em Madri e Redha Abdulameer Ali Abdulla Salman, diretor-geral adjunto da Al Zaeem, foram outros participantes que marcaram presença neste painel.
Economia do Norte da África
Na sequência dos painéis, representando o Sudão, palestraram Majdi M Ameen, CEO da Green Revolution Company e Mohammed Elkhateeb, diretor da Sudanese Mineral Resources Company (SMRC).
“Em relação à agricultura, o Sudão tem milhões de acres para o desenvolvimento dessa área e queremos fazer parcerias estratégicas entre o nosso país e o Brasil”, disse Ameen.
Representando a governança dos minerais do Sudão, Elkhateeb deu uma panorama sobre o setor. “Apesar dos desafios que enfrentamos, continuamos em pé representando um pilar econômico importante. Queremos criar uma relação direta, séria e transparente para comercializar ouro com o Brasil. É importante dizer que não queremos investidores, mas sim trocar experiência e tecnologia com as empresas brasileiras”, afirmou.
O painel contou ainda com a participação virtual de Walid Ahmed Mohamed Anwar Abdallah, vice-presidente da General Authority for Investment and Free Zones (GAFI) do Egito.
“A economia global está mudando. Cadeias de suprimento estão sendo redesenhadas. A tecnologia está remodelando indústrias, e os investidores estão buscando cada vez mais acesso a novos mercados. Isso cria uma clara oportunidade para o Egito e o Brasil e o investimento deve se tornar uma ponte entre nossos mercados”, disse.
Dos corredores ao comércio de Ras Al Khaimah
No último flash painel, Rashed Khalfan Al Nuaimi, diretor-geral da Câmara de Comércio e Indústria de Ras Al Khaimah, comentou sobre uma nova oportunidade de mercado que o Brasil pode encontrar nos Emirados Árabes Unidos.
“Somos um emirado ainda pouco conhecido, mas temos uma localização privilegiada e infraestrutura destacada. Além disso, nossa comunidade proporciona oportunidades de negócio variadas com as áreas de turismo, alimentos e logística. Nossa câmara quer criar laços com as empresas brasileiras e hoje estamos prontos para facilitar esse diálogo”, afirmou.
Também presente no painel, Natasha Yvette Ridge, diretora-executiva da Al Qasimi Foundation fez um breve resumo sobre a importância das artes. “Acredito que sem colaboração e financiamento, as artes não funcionam, por isso colaboramos com nações diferentes, entre elas o Brasil, e estamos abertos para receber artistas brasileiros.”
A Câmara foi representada, no fórum, pelo presidente, William Adib Dib Junior, pelo vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral, Mohamad Orra Mourad, e pelos ex-presidentes Marcelo Sallum, Rubens Hannun e Osmar Chohfi. Também estiveram pela instituição no evento o diretor-tesoureiro Mohamad Abdouni Neto, a vice-presidente de Marketing, Silvia Antibas, o vice-presidente Administrativo, Nahid Chicani, e os diretores William Atui, Suzana Chohfi, Arthur Jafet, Alessandra Frisso, Claudia Yazigi Haddad, Lourenço Chohfi Neto, Sami Roumieh. A diretora Renata Maron foi, também, a mestre de cerimônias do evento.
O fórum promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira conta com o patrocínio de FAMBRAS Halal, International Halal Academy, Vale, DP World, Cdial Halal, First Abu Dhabi Bank, BRF/MBRF Global Foods Company, Qatar Airways e MZAH Group Investment. Tem como apoiadores institucionais a Liga Árabe, a União das Câmaras Árabes e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), além da parceria da Cacilda Aragão Tours.
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